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BBC fez censura selectiva nos BAFTA: o racismo passou, o «Palestina Livre» não

Durante a transmissão da cerimónia dos BAFTA, a BBC cortou parte do discurso do cineasta Akinola Davies Jr., no qual ele diz «Palestina livre». O mesmo não se pode dizer quando do público foi proferida uma ofensa racista no momento em que Michael B Jordan e Delroy Lindo apresentavam o primeiro prémio da noite.

Depois dos acontecimentos no Festival de Glastonbury, ou do mais recente condicionamento editorial no tratamento do rapto do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a BBC voltou a dar que falar e não pelos melhores motivos. Desta vez, o centro do furacão está na censura selectiva levada a cabo durante a transmissão da cerimónia da British Academy Film Awards (BAFTA).

Acontece que Akinola Davies Jr. arrecadou um galardão com o seu filme My Father’s Shadow e, no momento do discurso, teceu palavras de solidariedade para com «aqueles que estão sob ocupação, ditadura, perseguição e aqueles que estão a sofrer genocídio».

Como se tal não fosse já inequívoco, o cineasta, escritor e artista visual britânico-nigeriano foi ainda mais longe com a sua coragem: «Para aqueles que estão a assistir em casa, arquivem os vossos entes queridos, arquivem as vossas histórias de ontem, de hoje e de sempre. Pela Nigéria, por Londres, pelo Congo, pelo Sudão, pela Palestina Livre», disse.

Quem não gostou destas palavras foi a realização da BBC que, aproveitando o facto de estar a transmitir a cerimónia com um atraso de duas horas, cortou as palavras de Davies Jr., garantindo que as mesmas não chegavam aos telespectadores. 

A polémica foi, no entanto, amplificada por um viés censório selectivo. Atendendo ao facto da transmissão ter sido em diferido, a realização da cerimónia deixou passar um insulto racial que fora proferido desde o público. O momento aconteceu enquanto Michael B Jordan e Delroy Lindo liam o vencedor do prémio de melhores efeitos visuais e soube-se, mais tarde, que o autor do insulto foi John Davidson, activista que sofre de Síndrome de Tourette que estava na cerimónia como convidado devido à nomeação da biopic I Swear, que relata a sua vida.

A direccção da BBC já reagiu ao sucedido e pediu desculpas por não ter omitido o sucedido da transmissão do evento e disse que iria remover o insulto da versão da cerimónia disponível no seu serviço de streaming. «Alguns telespectadores podem ter ouvido linguagem forte e ofensiva durante o BAFTA Film Awards», disse o comunicado da estação. «Isso surgiu de tiques verbais involuntários associados à síndrome de Tourette e, conforme explicado durante a cerimónia, não foi intencional», explicou.

Já sobre a censura ao discurso de Akinola Davies Jr., a emissora nada disse. Segundo o noticiado, a Al Jazeera English, procurou questionar a BBC, porém, esta recusou-se a comentar sobre as suas decisões editoriais relativas aos prémios BAFTA.

Há praticamente um ano, a 28 de Fevereiro de 2025, o AbrilAbril noticiou que mais de 850 profissionais da imprensa e do cinema dirigiram uma carta à BBC, acusando-a de «racismo» e «censura», depois de ter retirado um documentário sobre a Faixa de Gaza. Um ano passado e a BBC continua a sofrer dos mesmos problemas, provando que o racismo tem espaço nas suas opções, ao contrário da solidariedade com os povos que sofrem com a guerra, opressão e massacre. 

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