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Macron reeleito apesar da contestação às suas políticas

Confirmaram-se as sondagens. Macron foi reeleito Presidente de França, com 58,5%, enquanto Marine Le Pen, com 41,5%, obteve um nível de votação que nunca antes tinha atingido.

 

Emmanuel Macron, acompanhado pela mulher, Brigitte Macron, celebra a notícia da sua reeleição para a Presidência da República Francesa, após serem conhecidos os resultados provisórios da segunda volta das eleições presidenciais, que lhe dão a vitória sobre a sua adversária Marine Le Pen. Paris, 24 de Abril de 2022 
Emmanuel Macron, acompanhado pela mulher, Brigitte Macron, celebra a notícia da sua reeleição para a Presidência da República Francesa, após serem conhecidos os resultados provisórios da segunda volta das eleições presidenciais, que lhe dão a vitória sobre a sua adversária Marine Le Pen. Paris, 24 de Abril de 2022 CréditosYOAN VALAT / EPA

As sondagens divulgadas nestas últimas semanas já apontavam para a reeleição do Presidente francês, apesar da dificuldade de Emmanuel Macron em motivar os eleitores de esquerda, como aconteceu no debate televisivo com a candidata da extrema-direita, onde fez poucas referências às questões relativas à precariedade do trabalho e ao crescimento das desigualdades sociais. Por seu lado, Marine Le Pen, que obteve um significativo aumento de votação em relação a 2017, procurou moderar o discurso e iludir os sectores populares, exibindo bandeiras que lhes são caras.

Emmanuel Macron e o seu governo sofreram uma acentuada quebra de popularidade, nomeadamente através da tentativa de impor políticas cada vez mais liberais, como a privatização dos caminhos de ferro, a reforma das leis laborais e o aumento dos preços. Aliás, esta política anti-popular do presidente francês, que se traduziu no crescimento das dificuldades económicas sentidos pelos trabalhadores franceses, tem sido objecto de um vigoroso protesto e de uma resistência crescente, com diversas manifestações e lutas laborais, incluindo greves prolongadas.

Esta a razão pela qual muitos franceses, defensores da liberdade, da democracia e da justiça social, não acreditam em Macron e tiveram dificuldade em dar-lhe o seu voto. Dessa forma, terão contribuído também para o aumento da abstenção, a mais alta desde 1969, e para a perda de votos do Presidente francês em relação às últimas presidenciais.

No seu discurso de vitória, Macron reconheceu que muitos franceses terão votado nele não por apoiarem as suas políticas, mas para travar a extrema-direita, afirmando que continuará «a trabalhar por uma sociedade mais justa».

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