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Fortes protestos no Equador contra o «paquetazo» neoliberal de Moreno

O presidente do Equador, Lenín Moreno, decretou esta quinta-feira o estado de excepção, face às mobilizações em todo o território nacional contra as medidas económicas aprovadas pelo executivo.

As medidas incluídas no novo pacote de austeridade anunciado por Lenín Moreno motivaram fortes protestos
As medidas incluídas no novo pacote de austeridade anunciado por Lenín Moreno motivaram fortes protestos Créditos / NAICR

As paralisações desta quinta-feira fizeram-se sentir sobretudo no sector dos Transportes, já que uma das medidas incluídas no «pacote neoliberal» que Moreno anunciou no passado dia 1 – bastante criticada pela população – diz respeito à eliminação do subsídio estatal à gasolina especial e ao gasóleo.

Assim, taxistas, condutores de empresas de transporte urbano e provincial, de autocarros escolares e de camiões pararam as suas actividades e participaram em mobilizações, a que se associaram organizações sociais, sindicatos, trabalhadores de diversos sectores e estudantes, na capital, Quito, e noutras cidades do país andino, informa a Prensa Latina.

O pacote anunciado por Moreno, que se enquadra num conjunto de medidas económicas acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), prevê ainda o corte de 20% em remunerações em contratos temporários renovados, a redução do número de dias de férias para os funcionários públicos e a imposição, aos trabalhadores de empresas públicas, do desconto de um dia de salário mensal, refere a mesma fonte.

Este pacote ao gosto do FMI, que o executivo equatoriano caracteriza como «para bem da economia» e com o qual pretende «poupar» 1400 milhões de dólares por ano, teve como resposta uma onda de mobilizações.

Além de transportes parados e escolas encerradas, registaram-se inúmeros bloqueios de estradas com pneus queimados em vários pontos do país, houve cargas policiais em Quito e foram destacados militares para a sede do governo, o Palácio de Carondelet.

Perante este cenário, o presidente equatoriano decretou o estado de excepção, alegando que, com tal medida, pretende «salvaguardar a segurança dos cidadãos e evitar o caos».

Antes de o decreto da situação de excepcionalidade, a nível nacional, ser anunciado, vários ministros reafirmaram, em declarações à comunicação social, que as medidas do «paquetazo» não irão ser alteradas.

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