|Saara Ocidental

Familiares de preso saarauí alertam para agravamento do seu estado de saúde

A deterioração do estado de saúde de Brahim Daddi Ismaili, preso do Grupo de Gdeim Izik, foi denunciada pelos seus familiares à Liga para a Protecção dos Prisioneiros Saarauís nas Prisões Marroquinas (LPPS).

Acampamento de Gdeim Izik, no Saara Ocidental, em 2010
Créditos / imd.org.ar

Recluso na cadeia de Ait Melloul 2, na cidade marroquina de Agadir, Daddi Ismaili é um dos presos do Grupo Gdeim Izik e, segundo revelou a sua família, voltou a sofrer de dores fortes num joelho, algo que requer cuidados especializados que as autoridades prisionais recusam.

Esta quarta-feira, a LPPS informou que o preso foi transferido da cadeia para uma unidade hospitalar, mas sem que lhe tivessem sido realizados exames ou quaisquer tratamentos.

A administração do hospital terá informado Daddi Ismaili «da necessidade de aguardar numa prisão durante semanas ou mais para poder realizar os exames médicos», indicou a Liga, citada pela agência Sahara Press Service.

«As autoridades hospitalares informaram o preso político saarauí de que o seu estado de saúde requer que seja submetido a uma TAC, sem especificar uma data para tal», refere a mesma fonte, denunciando que isto «evidencia a cumplicidade da administração prisional com as do hospital».

Gdeim Izik

Gdeim Izikm é o nome do acampamento de protesto, nas imediações de El Aiun, onde, em 2010, milhares de saarauís se juntaram para exigir o fim da ocupação marroquina e o cumprimento dos seus direitos económicos, sociais e políticos.

O protesto foi sufocado a ferro e fogo pelas forças militares marroquinas, tendo a Frente Polisário denunciado a morte de 19 pessoas, mais de 700 feridos e mais de 150 desaparecidos.

No contexto do violento desmantelamento do acampamento, as autoridades marroquinas acusaram 23 activistas de envolvimento na morte de 11 militares marroquinos, em Novembro de 2010, que seriam detidos e torturados nos dias e semanas que se seguiram.

Os activistas foram posteriormente julgados no âmbito de um processo que teve início em Dezembro de 2016, num tribunal civil, em Salé, e que, de acordo com a defesa, careceu de garantias processuais básicas.

Em Julho de 2017, foram condenados a pesadas penas, na sua grande maioria.

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