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Milhares nas ruas de Compostela em defesa da saúde pública galega

Milhares de pessoas participaram este domingo, na capital da Galiza, na manifestação convocada pela plataforma SOS Sanidade Pública para denunciar as privatizações e o desmantelamento do sistema.

Da Alameda à Praça do Obradoiro, um mar de gente exigiu saúde pública e de qualidade aos que estão a destruir o sistema Créditos / CIG

A Praça do Obradoiro tornou-se um clamor em defesa da saúde pública galega e contra as políticas de cortes e privatizações levada a cabo pelo executivo do PP na Xunta.

Mesmo sob chuva forte, milhares de pessoas responderam afirmativamente ao apelo da SOS Sanidade Pública e manifestaram-se desde a Alameda de Compostela para defender o direito à saúde num sistema público e de qualidade, num momento que os organizadores consideram «crítico» para esse sistema, depois de anos sucessivos a ser submetido a políticas de desmantelamento e de destruição.

No final da mobilização, representantes das organizações que integram a plataforma leram um manifesto que denunciou listas de espera intermináveis, o acesso impossível aos centros de saúde, o colapso dos serviços de urgência ou o desmantelamento dos hospitais de comarca.

Também apontaram a falta de profissionais e de recursos, o reencaminhamento de milhares de utentes para o sistema privado e o crescimento exponencial dos seguros de saúde, refere a Confederação Intersindical Galega (CIG) no seu portal.

Xunta acusada de destruir o sistema público de saúde

O texto denuncia que a Xunta «pretende destruir um dos melhores sistemas de saúde» para erguer uma «rede de negócios privados pertencentes a empresas multinacionais estrangeiras».

Frisando que o orçamento da saúde não só «não está a crescer», como «até diminui nalgumas rubricas, descontada a inflação», a SOS Sanidade Pública acusa a Xunta, onde governa o PP, de estar «a destruir» os cuidados primários, nomeadamente por via do «corte de vagas» em medicina familiar e pediatria, enfermagem familiar e comunitária, refere o diário Nós.

«Isto cria uma barreira de acesso aos centros de saúde, com atrasos de semanas e meses para se ser atendido», sublinharam, criticando «o desvio de milhares de doentes dos hospitais públicos para os privados» e «o crescimento exponencial» dos planos de saúde privados, considerando que estes «geram desigualdade» no seio da população galega.

Medidas urgentes

Perante esta situação, os representantes da plataforma exigiram um aumento do orçamento da saúde, sobretudo nos cuidados primários, até 25% do total «indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)»; a reabertura dos centros de saúde encerrados e a criação de novos «onde for necessário», bem como a reintegração do serviço de ambulâncias no sistema público.

Solicitaram ainda um «plano urgente» para racionalizar as listas de espera; novos concursos para profissionais com base nas necessidades do sistema e a incorporação de novas categorias profissionais nos centros de saúde.

Entre as reivindicações apontadas, contam-se também a garantia da presença de profissionais da área da saúde mental nos cuidados primários e a realização de concursos públicos «transparentes».

«Não vamos tolerar a privatização dos nossos sistemas de saúde»

Manuel Martín, porta-voz da SOS Sanidade Pública, agradeceu a presença dos manifestantes na mobilização, apesar das condições climatéricas. «Aqui está um mar de gente disposto a avançar, lutar e continuar a melhorar a saúde pública. Não vamos baixar os braços, não vamos tolerar que nos tirem o nosso sistema de saúde», salientou, citado pelo diário Nós.

Na sua intervenção, Martín denunciou que «não se avança» porque o orçamento destinado à saúde é «praticamente o mesmo do ano passado». «Continuamos a ter um problema de cortes nos cuidados primários e continuamos a utilizar os hospitais públicos apenas a tempo parcial, enquanto os hospitais privados funcionam de manhã, à tarde e à noite, incluindo fins-de-semana», disse.

O porta-voz garantiu que a SOS Sanidade Pública «vai continuar a mobilizar-se», com o objectivo de dar a conhecer as suas reivindicações à Xunta da Galiza. «Que o saiba a Xunta, que o saiba Sr. Rueda. Não vamos tolerar a privatização dos nossos sistemas de saúde», frisou.

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