«Desde o início do seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump deixou claro que iria substituir a diplomacia pela intervenção e agressão na imposição dos seus interesses, uma agenda francamente imperialista», declarou esta quarta-feira Jocelyn Velázquez, da organização Jornada Se Acabaron Las Promesas, citada pela Prensa Latina.
Velázquez explicou que as acções de protesto terão lugar este domingo frente a Roosevelt Roads, em Ceiba (Leste da ilha), no entroncamento da via PR-2 com a PR-107, em Aguadilla (Noroeste), e no Campamento Santiago, em Salinas (Sul).
Ao anunciar as mobilizações, Velázquez disse que Trump, «neste processo, procurou transformar as Caraíbas no quintal das forças armadas dos Estados Unidos, incluindo Porto Rico, e, por isso, pedimos ao povo porto-riquenho que rejeite esta militarização».
Nos últimos meses, o território que é colónia dos EUA há 127 anos viu o seu espaço aéreo e território marítimo tornarem-se palco de exercícios militares e refúgio seguro para as forças norte-americanas.
Neste sentido, Carlos Vega, do Movimiento Independentista Nacional Hostosiano (MINH), afirmou que «a invasão da Venezuela, em violação de todo o direito e prática internacional, foi, até agora, o momento mais dramático desta agressão militar». «Se não a detivermos, poderá ser o início de algo muito pior na nossa região caribenha e latino-americana», alertou.
É por isso que, na sequência da iniciativa de 3 de Janeiro em frente ao tribunal federal para condenar o rapto do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua mulher, Cilia Flores, e das manifestações sucessivas da organização Madres contra la Guerra, «decidimos convocar estas três manifestações simultâneas em frente a bases militares», explicou.
«A ideia é que a condenação da invasão da Venezuela e da militarização da região das Caraíbas seja sentida e se repercuta em todo o Porto Rico», acrescentou Vega, co-presidente do MINH.
Cumplicidade do executivo porto-riquenho com o imperialismo
Por seu lado, Susanne López Rodríguez, porta-voz da Democracia Socialista, acrescentou que «as nossas organizações estão a apelar à mobilização, dada a vergonhosa cumplicidade do governo do Partido Nuevo Progresista e de Jenniffer González, juntamente com a aceitação da invasão pelo Partido Popular Democrático».
«Na ausência de um plano de desenvolvimento económico, o governo de Jenniffer González pretende dinamizar a economia com construções e guerras, com destruição ambiental e apoio à morte no nosso hemisfério», criticou.
Ao invés do executivo, as organizações porto-riquenhas «rejeitam a violência do Exército dos EUA, rejeitam a presença militar no país e exigem o fim desta colaboração», defendeu López Rodríguez.
Além das organizações referidas, integram a Rede de Solidariedade com a Venezuela a Alba Movimiento-Capítulo de Puerto Rico, Colectiva Feminista en Construcción, Comité de Solidaridad con Cuba, Comité Pro Derechos Humanos de Puerto Rico, Comuna Caribe, Educamos, Frente Socialista, Instituto Puertorriqueño de Relaciones Internacionales e Liga Roja.
Ainda a Madres contra la Guerra, Mesa de Diálogo Martin Luther King, Movimiento Socialista de Trabajadores y Trabajadoras, Movimiento Solidario Sindical, Partido Nacionalista, Tribunal Internacional sobre Crímenes de EEUU en Puerto Rico e Poetas en Marcha.
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