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Esquadrão da morte ucraniano a caminho de África ao serviço do MI6

Os serviços secretos britânicos para o estrangeiro (MI6) vão preparar e enviar para África uma unidade para sabotagens e assassinatos, composta por ucranianos de formações nacionalistas e neo-nazis.

Soldados ucranianos do GUR perto de Kramatorsk, na região do Donetsk, em 2014
Soldados ucranianos do GUR perto de Kramatorsk, na região do Donetsk, em 2014Créditos / Military Armament

O referido destacamento terá por objectivo «contrariar o desenvolvimento de relações de cooperação entre os países de África e a Rússia», se necessário procedendo a acções de sabotagem nesses países e à eliminação de líderes políticos favoráveis ao diálogo com a Federação Russa, afirmou à RIA Novosti uma fonte diplomático-militar.

Segundo a mesma fonte, as autoridades de Kiev, respondendo a um pedido de Londres, instruíram os serviços secretos ucranianos (SBU) e os serviços secretos militares (GUR), em Julho passado, para darem a máxima e pronta assistência aos representantes do MI6 e das forças especiais britânicas (SAS) «na selecção de uma centena de militantes das formações nacionais ucranianas com experiência de combate na “frente Leste”».

O envio da unidade especial de sabotagem e aniquilamento está previsto para a segunda quinzena de Agosto e será realizado por via marítima, num navio ucraniano civil que partirá de Izmail (porto ucraniano no rio Danúbio, junto à fronteira romena) com destino ao Sudão, país onde desde Abril passado se confrontam as Forças Armadas do Sudão e os paramilitares das Forças de Intervenção Rápida, após terem quebrado uma aliança de poder.

A unidade será chefiada pelo tenente-coronel do GUR Vitaly Praschuk, um nativo da região de Vinnitsa (cerca de 200 quilómetros a oeste de Kiev) que entre 2014 e 2016 comandou um grupo de sabotagem e reconhecimento nas regiões de Lugansk e Donetsk, onde procedeu a várias «liquidações com êxito».

Em 2015 juntou-se ao 73.º Centro de Operações Especiais da Marinha e em 2017 passou a integrar o GUR. Segundo a agência russa, Praschuk esteve envolvido em operações especiais conjuntas dos serviços secretos britânicos e ucranianos no Zimbabwe.

Depois de passar à reserva, em 2019, foi eleito para a Verkhovna Rada (parlamento) da Ucrânia pelo partido Servidor do Povo, de Volodymyr Zelensky.

Londres e Kyiv desvalorizam notícia. Diplomacia ucraniana confirma vontade de libertar África da influência russa

Em Londres o canal russo da BBC reagiu na sua rede do Telegram chamando a atenção para o facto de a mesma ter sido publicada ao mesmo tempo por três das maiores agências noticiosas russas (RIA Novosti, Tass e Interfax), o que poderia, no seu entender, indicar uma acção concertada de desinformação.

Focando-se apenas sobre a referência, na notícia da RIA Novosti, de que a unidade de sabotagem ucraniana ao serviço do MI6 partiria do porto de Izmail, a BBC admitiu que a referida peça poderia ter como objectivo criar um pretexto para novos ataques russos naquela área.

O Ukrainskaya Pravda escreve a partir da notícia da BBC e reproduz as mesmas considerações mas acrescenta a designação de «propagandistas» às agências noticiosas russas.

Nenhum dos meios comenta, porém, o envolvimento do tenente-coronel Praschuk, no passado, em operações especiais conjuntas dos serviços secretos britânicos e ucranianos no Zimbabwe, referido na notícia da Ria Novosti.

Entretanto, um dia depois, em declarações à Agence France Presse (AFP) referidas pela Al-Jazeera, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, prometeu «libertar África da garra russa».

Kyiv pretende aprofundar laços com os países africanos a fim de contrabalançar a influência de Moscovo no continente, no que chamou uma «contra-ofensiva diplomática».

«A nossa estratégia não é substituir a Rússia mas libertar África das garras russas», enquanto que «a Rússia tenta manter [os países africanos] na sua órbita através de coerção, suborno e medo», afirmou.

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