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Enorme manifestação em Lima, em vésperas de jornada nacional de protesto

No Sul andino, as mobilizações continuam sem parar desde o início do mês – mesmo com o destacamento de tropas. Nos últimos dias, a capital peruana passou também a ser palco de grandes manifestações.

Manifestação em Lima, Peru, a 30 de Janeiro de 2023 
CréditosJazmín Moscoso / Wayka

Ao fim da tarde desta segunda-feira, as autoridades peruanas registavam bloqueios rodoviários em pelo menos 25 províncias do país, além de concentrações e mobilizações em localidades como Yungay, Abancay, Andahuaylas, Cusco, Puno, entre outras.

Na região de Lima Metropolitana teve lugar a maior mobilização de protesto para exigir a demissão da presidente de facto, Dina Boluarte, bem como o encerramento do Congresso, a criação de uma Assembleia Constituinte e a realização de eleições já este ano.

Manifestação no Peru a 30 de Janeiro de 2023 / PL

Partindo de Huyacán, na parte leste de Lima, uma enorme marcha dirigiu-se para o centro da capital ao longo de oito horas, com os manifestantes a agitarem bandeiras e faixas, e a gritarem palavras de ordem contra Dina Boluarte, a exigir uma nova Constituição e a denunciar que no país não existe democracia.

Ao fim da tarde, os milhares de manifestantes dos arredores – de zonas muito marcadas pela pobreza – juntaram-se no centro de Lima a outros provenientes de outras zonas da cidade e das regiões do Sul do país.

Sem acordo no Congresso

Entretanto, no Congresso foi adiada para hoje uma sessão de debate sobre a eventual realização de eleições em Outubro de 2023, com 66 votos a favor e 49 contra.

O Partido Perú Libre votou contra porque o projecto, apresentado pelos neoliberais da Fuerza Popular, não inclui a realização de um referendo sobre a criação de uma Assembleia Constituinte.

Segundo refere a Prensa Latina, o primeiro-ministro, Alberto Otárola, tem posto de parte a ideia de que o projecto em cima da mesa venha a incluir uma constituinte.

Apelo à unidade na acção numa nova jornada nacional de mobilização

Uma frente constituída por partidos progressistas, sindicatos e organizações sociais convocou para esta terça-feira uma nova jornada nacional de protesto, exigindo a demissão de Dina Boluarte, a realização de eleições antecipadas e a dissolução do Congresso.

Assembleia Nacional dos Povos (ANP) e Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP) precisaram que a jornada é semelhante à realizada em 19 de Janeiro último, quando se manifestaram em Lima delegações de diversas regiões que mantêm os protestos desde o dia 4 de Janeiro.

Exigindo a demissão imediata da «usurpadora» Dina Boluarte, sublinham no texto da convocatória que «passaram quase dois meses de luta tenaz, com a coragem dos povos das regiões do Sul, com o sangue derramado de 60 peruanos e peruanas e milhares de feridos e detidos».

Essa luta, que chama a atenção para determinadas reivindicações, tem como resposta «uma política repressiva e cobarde» do governo, denunciam, acrescentando que Boluarte «se encontra cada vez mais isolada».

As organizações subscritoras do comunicado, que acusam a presidente de facto e o primeiro-ministro de «se refugiarem na extrema-direita parlamentar, no poder económico e mediático e na Embaixada dos Estados Unidos», defendem que Dina Boluarte deve ser investigada e condenada por crimes contra a vida.

Recorde-se que a presidente de facto e diversos membros do governo estão a ser investigados pela alegada prática de crimes de genocídio, homicídio qualificado e lesões graves durante os protestos que ocorreram no país sul-americano entre Dezembro e Janeiro, nas regiões de Apurímac, La Libertad, Puno, Junín, Arequipa e Ayacucho.

ANP e CGTP congratulam-se com as iniciativas dos povos nas várias regiões do país, incluindo Lima Metropolitana, e apelam à unidade de acção, tendo em conta que a extrema-direita está unida.

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