|despedimento colectivo

Perdão de dívida da Sousacamp tem de acarretar exigências sociais

Cerca de cem trabalhadores do grupo Sousacamp, em Paredes, receberam propostas de rescisão amigável. O sindicato lembra que o perdão da dívida deveria garantir a manutenção dos postos de trabalho.

Créditos / CGTP-IN

Depois de um processo de insolvência iniciado em 2018, a Varandas de Sousa, principal empresa do Grupo Sousacamp, maior produtor português de cogumelos frescos, que emprega 450 pessoas, foi adquirida por uma gestora de capital de risco, com um perdão de dois terços de uma dívida de 60 milhões de euros. 

Agora, e depois de terem constatado a retirada de materiais da fábrica, os trabalhadores foram «surpreendidos» com a comunicação, por parte de responsáveis da empresa, da intenção de redução, no imediato, dos quadros de pessoal.

O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN), que já tinha alertado para a necessidade de ser esclarecida a situação laboral a partir do momento em que houvesse um perdão alargado da dívida, enviou um conjunto de seis cartas a diversas entidades responsáveis no processo de insolvência da empresa lembrando que tal perdão envolve, directa ou indirectamente, dinheiros públicos, pelo que exige que seja definida a manutenção dos postos de trabalho no acordo de viabilização.

Em nota enviada à imprensa, o sindicato refere que esta posição dos trabalhadores se sustenta no facto de os problemas económicos e prejuízos do grupo se deverem exclusivamnte «a decisões erradas de investimento e opções de gestão». 

Acrescenta que, mesmo em condições adversas, as empresas mantiveram a capacidade de pagar salários pelo que, na perspectiva de recuperação, o cenário se apresenta ainda mais positivo relativamente a essa exigência. 

O sindicato sublinha que desde a fundação da empresa «houve empenho máximo, assumido, da parte dos municípios, com medidas de facilitação e isenção de inúmeras exigências, que se valorizam sempre, mas apenas perante a manutenção da evidência do retorno social e económico garantido pela criação de emprego».

Tópico