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Recusaram rescisão e são castigados na Sousacamp

Os trabalhadores que recusaram a rescisão amigável, por exigirem que a recuperação da empresa passe pela manutenção dos postos de trabalho, estão a ser alvo de discriminação, denuncia uma organização sindical.

CréditosEstela Silva / Lusa

O Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação e Bebidas (Sintab/CGTP-IN) afirmou numa nota divulgada à imprensa que enviou na semana passada vários pedidos de intervenção nas unidades do grupo Sousacamp à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Em declarações ao AbrilAbril, José Eduardo Andrade, dirigente sindical, contou que os trabalhadores da unidade de Paredes que declinaram a proposta de rescisão «têm sido afastados dos seus postos de trabalho e colocados à parte, num corredor sem condições de trabalho e excluídos de todas as decisões quotidianas da empresa», numa clara situação de discriminação com vista a forçar a desvinculação, o que representa para o sindicato a prática de assédio laboral.

O dirigente denunciou que, ao mesmo tempo, nas unidades de Vila Real e Vila Flôr, por se verificar um acréscimo de produção, a direcção está a pressionar os trabalhadores, impedindo-lhes o gozo de folgas duas semanas seguidas. Para cumprir estes objectivos, a administração pretende «impingir» aos trabalhadores de Paredes a obrigatoriedade de fazerem os 65 quilómetros até Vila Real sem recurso a qualquer remuneração adicional, referiu o sindicalista.

«Vai haver de certeza formas de luta porque isto não pode ficar como está», disse o dirigente, lembrando que os pedidos de inspecção foram encaminhados para a delegação da ACT de Penafiel, que, até hoje, nunca apresentou um relatório de qualquer uma das denúncias feitas pelo sindicato.

 

Credores decidem recuperação até dia 13 de Março

Na assembleia de credores que se realizou esta terça-feira, no Tribunal de Vila Flôr, a decisão foi remetida para a próxima semana.

«O administrador acrescentou páginas com alterações à proposta de recuperação minutos antes de começar a reunião, pelo que os credores não podiam votar um conteúdo que desconheciam», contou José Eduardo Andrade, acrescentando que a juíza entendeu que a resposta deveria ser dada por escrito nos próximos dez dias.

«No que toca aos trabalhadores, o plano continua a não garantir a manutenção dos postos de trabalho», afirmou o dirigente, referindo que a direcção irá manter a dispensa de 90 trabalhadores e que, se não for alcançado um acordo, vai avançar para um processo de despedimento colectivo.

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