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Trabalhadores querem a Lusa livre de interferências políticas e partem para a greve

Contra a imposição do processo de reestruturação da empresa e o novo modelo de governação, que segundo o Sindicato dos Jornalistas, está a ser conduzido de forma «pouco transparente», os trabalhadores da Lusa decidiram partir para greve amanhã, dia 12 de Março.

CréditosManuel de Almeida / Agência Lusa

O Governo achou por bem alterar os estatutos da Lusa sem ouvir os trabalhadores e à prática anti-democrática juntam-se as preocupações relativamente à independência da agência noticiosa. Basicamente, com as alterações, a tutela quer obrigar a direcção de informação a prestar contas no Parlamento, o que segundo os trabalhadores coloca em causa a liberdade de informação.

Como se tal não fosse suficietnte, foi ainda criado um novo órgão na Lusa, com seis pessoas nomeadas pelo poder político, algo que pode condicionar o funcionamento de uma agência noticiosa que tem que o escrutinar. Num vídeo publicado na página de Instagram do Sindicato dos Jornalistas são os próprios trabalhadores a afirmarem: «A Lusa escrever sobre o Governo, não escreve para o Governo. A Lusa escreve sobre os partidos, não escreve para os partidos».

É neste espírito afirmativo, considerando que «destruir a Lusa é atacar a democracia», que amanhã, dia 12 de Março, os trabalhadores vão realizar uma greve parcial que irá das 10 horas até às 14 horas, em protesto contra o processo de reestruturação imposto pelo Governo. 

O pré-aviso de greve, subscrito pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ), pelo SITE-CSRA e pelo SITESE, resulta de um plenário realizado no passado dia 26 de Fevereiro, no qual os trabalhadores manifestaram «repúdio» pela forma como o executivo tem conduzido as mudanças na agência de notícias.

No documento pode ler-se que as estruturas sindicais denunciam os riscos de «influência política e de governamentalização» introduzidos pelos novos estatutos, que consideram estar em contradição com as garantias de independência previstas na Constituição da República Portuguesa e com os princípios do Regulamento Europeu de Liberdade dos Meios de Comunicação Social.

Olhando para o que está a acontecer na RTP, os trabalhadores mostram-se também apreensivos com a possibilidade de um plano de rescisões, num contexto em que desconhecem qualquer estratégia de reforço de quadros, nomeadamente nas delegações no território nacional. Outro ponto que suscita preocupações é a intenção, admitida pela Administração, de transferir a sede da Lusa para o edifício da RTP, uma mudança que, alertam, poderá «diminuir a independência funcional da agência». 

A estes motivos soma-se a falta de negociação do caderno reivindicativo, que inclui atualizações salariais, e que tem sido sucessivamente adiada pela tutela e pela Administração.
 

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