|1.º de Maio

Governo «vai ao bolso dos trabalhadores» sem fazer ideia de como vivem, acusa CGTP

A crítica foi deixada esta tarde por Tiago Oliveira, após uma gigantesca manifestação do 1.º de Maio, em Lisboa. Com o pacote laboral no centro da luta, CGTP-IN convocou nova greve geral para 3 de Junho. 

CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

Perante milhares de trabalhadores, dirigentes sindicais, jovens, reformados e movimentos sociais, no tradicional comício na Alameda D. Afonso Henriques, o secretário-geral da Intersindical teceu duras críticas ao Governo, ao aumento do custo de vida e ao pacote laboral, com o dirigente sindical a acusar o Governo de promover «um dos maiores ataque de sempre aos trabalhadores».

Antes, já a denúncia havia ecoado nas palavras de ordem da enorme massa de manifestantes, que gritaram a uma só voz: «Não vamos desistir, o pacote é para cair», «Só interessa ao capital, o pacote laboral», «O pacote laboral é retrocesso social» e «O povo está na rua, a luta continua».

«É apresentar um autêntico retrocesso para quem trabalha como se de avanços se tratassem», acrescentou Tiago Oliveira, que esta manhã convocou os trabalhadores para nova greve geral a 3 de Junho, contra o pacote laboral, e na Alameda apelou à unidade de todas as estruturas sindicais. «Vamos construir mais um grande momento de luta», afirmou, citando vitórias recentes em empresas como a Deheus (90 euros de aumento), SAS (120 euros), Continental Mabor (100 euros), Cimpor e Secil (90 a 140 euros mais redução para 37,5 horas) e Rangel/Superbock (130 euros).

Sobre o pacote laboral, o responsável lembrou que, nos últimos nove meses, o Governo «se recusou e fugiu à discussão com a CGTP-IN» por esta ter de imediato denunciado o conteúdo e as consequências do pacote laboral. «Porque a CGTP-IN apresentou as propostas sobre a legislação laboral que os trabalhadores precisam e o Governo fugiu à sua discussão», insistiu Tiago Oliveira, salientando que os trabalhadores querem «avanços, progresso, uma vida melhor», e não as propostas que o executivo de Montenegro inscreveu no documento, superando as ambições do grande patronato, como admitiu numa entrevista ao Público, divulgada ontem, João Vieira Lopes, que esta semana deixa a presidência da Confederação de Comércio e Serviços.

Em causa, recordou o líder da Intersindical na Alameda, estão as questões da precariedade, com a proposta de permitir às empresas contratos a prazo para jovens à procura do primeiro emprego, quando se sabe que Portugal é o quarto país da União Europeia com mais trabalho precário entre os jovens. Mas também o banco de horas individual, que na prática equivale até 150 horas de trabalho extraordinário não pago, e o outsourcing pós‑despedimento, ou seja, após um despedimento colectivo, as empresas poderem externalizar esses serviços com salários mais baixos e maior precariedade. 

«Estava e continua a estar [no documento negociado pelo Governo à margem da concertação social] a facilitação dos despedimentos, a possibilidade de um trabalhador despedido ilicitamente poder não ser reintegrado no seu local de trabalho», refere Tiago Oliveira, dando como exemplo o caso do trabalhador do Aldi. O dirigente destacou ainda outras medidas que os trabalhadores não aceitam, como o pagamento dos subsídios de férias e Natal em duodécimos, o ataque do direito à greve ou a caducidade das convenções colectivas, assim como o impedimento de os sindicatos entrarem nos locais de trabalho onde ainda não existe organização.

«Rejeitamos o pacote laboral. [...] Retirem o pacote laboral», exigiu, recordando a greve geral de 11 de Dezembro, as mais de 190 mil assinaturas entregues ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e a gigante manifestação do passado dia 17 de Abril. 

No plano internacional, o secretário-geral da CGTP-IN afirmou que «nenhuma guerra interessa aos povos, aos trabalhadores». Depois de admitir que os conflitos são «impulsionados por interesses capitalistas», Tiago Oliveira deu o genocídio em curso na Palestina e o «criminoso embargo» a Cuba como exemplos do «domínio imperialista dos EUA e dos seus aliados, muitos hoje calados, como a União Europeia, que permitem que tudo isto esteja a acontecer».

«Daqui também deixamos uma palavra a esses trabalhadores, a esses povos, uma palavra de esperança e de confiança, uma palavra de solidariedade. Uma palavra de acreditar que outro futuro é possível», afirmou o direigente sindical, que aproveitou para deixar também uma «palavra de repúdio pela forma como o Governo português se tem comportado em todos estes processos», lembrando que «nenhuma guerra é distante demais».

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