No geral, os problemas dos trabalhadores da Hanon Systems Portugal (uma fábrica de produção de componentes automóveis em Palmela, em parte para a Autoeuropa) são indistinguíveis dos sentidos pela larga maioria dos trabalhadores em Portugal: um enorme aumento do custo de vida e salários que «não acompanham a inflação, resultando numa degradação significativa das suas condições de vida». No particular, o caso é outro.
Apesar das várias tentativas de diálogo encetadas pelos trabalhadores e pelo Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI/CGTP-IN), a direcção da empresa «tem optado por impor decisões unilaterais, ignorando as propostas apresentadas pelos trabalhadores» numa autêntica «“lei da rolha”, dificultando a comunicação aberta e o diálogo».
As greves parciais convocadas para as próximas semanas (nos turnos da madrugada/manhã e tarde) prendem-se com a exigência do «reinício imediato do processo de negociação, sério e transparente» e uma resposta concreta para um aumento das remunerações.
Não é um caso novo na Hanon. Em 2020, a empresa chamou a GNR para dispersar os trabalhadores que se concentravam, em greve, em frente à porta da fábrica. Em 2017, a Hanon começou a assumir o Sábado como um dia de trabalho normal, também nessa altura recusando-se a negociar com as estruturas representativas dos seus trabalhadores.
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