No Dia Internacional do Trabalhador de 2012, as lojas do Pingo Doce (Jerónimo Martins) anunciaram uma promoção de 50% em compras de 100 euros. Milhares acorreram às lojas no 1.º de Maio, obrigando à intervenção das forças de segurança para conter mais de 50 ocorrências de confrontos entre clientes. Este momento alterou definitivamente o paradigma construído ao longo de décadas.
«Durante longos anos, o 1.º de Maio era um dos três dias do ano em que todo o comércio encerrava», explicou Célia Lopes, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN), ao AbrilAbril. A abertura das lojas do Pingo Doce nesse dia «criou um enorme sentimento de injustiça» entre os trabalhadores. Desde esse momento, explica, a data «passou a ser também um dia de greve» no sector da grande distribuição, «sempre com forte participação dos trabalhadores do sector que recusam trabalhar no seu dia», enfrentando as «mais variadas artimanhas» do patronato para «minimizar» os efeitos da greve.
Mas essa não é, no entanto, a única razão que leva o CESP (e também, este ano, o SITESE/UGT) a convocar uma paralisação no Dia Internacional do Trabalhador. A dirigente admite que, «perante a total liberalização dos períodos de funcionamento», a greve afigura-se como uma «justa forma de luta» pela valorização dos salários, das carreiras e das vidas dos trabalhadores do comércio.
Todos os anos são inauguradas centenas de novas lojas de diferentes cadeias de supermercado. No entanto, o número de trabalhadores que asseguram o seu funcionamento não sofreu alterações. «Há, hoje, lojas com metade dos trabalhadores que tinham em 2009 ou 2010», denuncia Célia Lopes, assumindo que «isso não advém apenas da colocação de caixas automáticas ou encerramento de balcões de atendimento». Na esmagadora maioria das situações trata-se de um agravamento consciente por parte do patronato «dos ritmos de trabalho e da desregulação dos horários», critica.
Não por acaso, mais de 27 mil trabalhadores do sector juntaram-se à Iniciativa Legislativa Cidadã que o CESP promoveu nos últimos anos. O encerramento do comércio aos domingos e feriados (e todos os dias às 22h) foi chumbado pelo PSD, CDS-PP, Chega, PS e IL, mas continua a ser ambicionado e «desejado pelos trabalhadores do comércio». Apesar da rejeição da maioria de direita no Parlamento, Célia Lopes deixa uma certeza – «é uma luta para continuar».
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