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Bancários do BCP e do Santander em greve no dia 1 de Outubro contra despedimentos

Após reunião com a administração do Santander Totta, em que o banco foi «irredutível» no despedimento de 210 pessoas, os sindicatos decidiram avançar com uma paralisação, que irá também abranger o BCP.

O Santander Totta, apesar do aumento dos lucros em mais de 30%, admite a saída de mais 200 trabalhadores
Créditos / Agência Lusa

De acordo com um comunicado conjunto de seis sindicatos, entre os quais estão o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, o Sindicato Independente da Banca e o Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (Sintaf/CGTP-IN), face à posição assumida esta quinta-feira pela administração do Banco Santander Totta quanto ao despedimento colectivo, «em tudo semelhante à do BCP, os seis sindicatos dos bancários decidiram convocar uma greve simultânea nos dois bancos».

Segundo as estruturas sindicais, a paralisação marcada para 1 de Outubro conta com a solidariedade do STEC – Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do grupo CGD.

«A partir de agora a lei estabelece que são as Comissões de Trabalhadores quem tem competência legal atribuída para participar na fase actual do processo, devendo todas as questões ser-lhes dirigidas», lê-se no comunicado.

Ainda assim, «os sindicatos estão preparados para intervir, assim e se o processo avançar», indicaram, acrescentando que «os associados devem remeter aos respectivos serviços jurídicos todas as formulações que forem enviadas às CNT, para que possam estar munidos dos elementos essenciais ao cabal conhecimento do processo».

Estes sindicatos convocam todos os trabalhadores do Santander Totta e do BCP a participar na greve a realizar na respectiva instituição. «Esta é uma causa que respeita a todos os bancários. Não afecta apenas alguns de nós. Chegou o momento de os bancários fazerem ouvir a sua voz na defesa intransigente dos seus direitos e dos postos de trabalho», reforçam.

O Santander Totta pretende a saída de 685 trabalhadores. Fonte oficial do banco disse na semana passada à Lusa que já foi acordada a saída com mais de 400 trabalhadores (reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo). Havia 230 funcionários com os quais não tinha chegado a acordo, pelo que poderão ser abrangidos por despedimento, mas o número não é definitivo pois o processo não está fechado.

Já o BCP, através de uma mensagem do presidente executivo, anunciou na semana passada aos funcionários que vai fazer um despedimento colectivo de 62 trabalhadores.

Quanto a outras saídas, o banco chegou a acordo com cerca 700 trabalhadores para saírem por rescisão por mútuo acordo, reforma antecipada e pré-reforma.

Os sindicatos têm acusado os bancos de repressão laboral e de chantagem para com os trabalhadores, considerando que os estão a forçar a aceitar sair por rescisões (sem acesso a subsídio de desemprego) ou por reformas antecipadas. Isto ao mesmo tempo que têm elevados lucros, acrescentam.

O BCP teve lucros de 12,3 milhões de euros no primeiro semestre (menos 84% do que no mesmo período de 2020) e o Santander Totta 81,4 milhões de euros (menos 52,9%).


Com agência Lusa

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