Estamos cada vez mais longe da justiça social, é o que se conclui do mais recente relatório da Oxfam divulgado em Davos, no último Fórum Económico Mundial. Os dados revelam que as 12 pessoas mais ricas do mundo detém sozinhas metade da riqueza do planeta. Valor, que a plataforma de ONGs, afirma ser capaz de erradicar a pobreza extrema 26 vezes.
Frente a este cenário internacional, Portugal não se mostra uma exceção e detém internamente diversas contradições que afastam a população de gozar de direitos básicos. Neste dia Internacional da Justiça Social, o Movimento Erradicar a Pobreza recorre a Sérgio Godinho. Só há justiça social a sério quando houver «a paz, o pão, habitação, saúde, educação»:
Paz
Longe de ser uma idealização, é em tempos de paz que a vida tem a possibilidade de se desenvolver. Entretanto a corrida ao armamento e o incentivo a resolução dos problemas através de meios militares, não apenas constrange o investimento público necessário em tantas áreas, mas também nos distancia de um futuro de paz.
Pão
A alimentação, e principalmente a alimentação de qualidade com o consumo calórico e nutricional recomendado está cada vez mais distante da realidade portuguesa. O preço dos itens básicos crescem, mas o salário mínimo e as pensões não crescem ao mesmo ritmo.
Habitação
Sem nunca ter cumprido seu desígnio constitucional de garantir o direito à habitação, o Estado português não melhora as condições de habitação de quem cá vive. Despejos, quartos sobrelotados, pobreza energética e condições insalubres são parte recorrente de um mercado habitacional que visa apenas a especulação junto de um Governo que considera moderada uma renda de mais de duas vezes o salário mínimo.
Saúde
Visto acima de tudo como uma oportunidade de negócio privado, o desinvestimento na saúde pública e suas constantes remodelações precarizam o serviço. No Orçamento do Estado há cada vez menos verba para o público e com os utentes desassistidos serão sempre os mais desfavorecidos a sofrer mais.
Educação
Essencial para o desenvolvimento económico e para o crescimento pessoal e comunitário, a educação não ostenta a dignidade merecida. A carreira de docente é desvalorizada e a conservação das escolas é tão precária que não parece que ali estão as futuras gerações do país.
Apesar do agravamento destes cenários a nível português e internacional, todas são fruto de escolhas políticas, algumas recentes, outras de muitas décadas, mas todos mutáveis mediante a luta. Neste dia 20 de Fevereiro, o apelo do Movimento Erradicar a Pobreza é para que ninguém «se conforme e reaja à situação vigente». E para que se possa construir a justiça social é necessário primeiro erradicar a pobreza.
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