Num comunicado enviado às redacções, a associação denuncia que os «custos de produção atingiram níveis incomportáveis», com a energia, combustíveis, fertilizantes e rações a registarem «aumentos brutais», enquanto os preços pagos à produção continuam «esmagados, muitas vezes abaixo do custo real».
Para a MARP, esta realidade «não é um acaso», mas antes consequência de um «modelo injusto que favorece a grande distribuição e penaliza quem produz». A organização filiada na Confederação Nacional da Agricultura (CNA) alerta ainda para uma escalada dos preços ao consumidor final, revelando uma cadeia alimentar «profundamente desequilibrada, marcada pela especulação e pela concentração de poder económico». «Enquanto os produtores recebem cada vez menos e os consumidores pagam cada vez mais, alguém está a lucrar com esta crise – e não são os agricultores nem as populações», critica.
A situação agrava-se no terreno, com muitos pequenos e médios produtores a enfrentar «enormes dificuldades para semear e trabalhar a terra devido à falta de meios financeiros». Diante deste cenário, as mulheres agricultoras advertem que sem apoios eficazes e com sucessivos prejuízos, «cresce o risco real de abandono forçado da actividade agrícola», com consequências «profundas». Concentração da terra nas mãos de poucos, desaparecimento de milhares de pequenos e médios produtores, agravamento das desigualdades no mundo rural e impactos ambientais severos são, segundo a MARP, alguns dos resultados possíveis.
A associação denuncia que os apoios destinados aos sectores agrícola e florestal são «muito insuficientes» face aos impactos das recentes intempéries e às consequências da guerra nos mercados internacionais. Por outro lado, admite que apoios anunciados revelam-se «desajustados à realidade e incapazes de responder à dimensão da crise».
Perante este cenário, a MARP exige uma mudança imediata de rumo, com cinco medidas concretas, desde a garantia de preços justos à produção, com mecanismos de regulação eficazes, ao reforço «urgente e significativo» dos apoios directos aos agricultores, «assegurando condições para semear e manter a actividade».
O combate firme à especulação e maior transparência na formação de preços ao longo da cadeia alimentar é outra das exigências da organização, que apela à implementação de medidas concretas para travar o abandono da terra e impedir a sua concentração, mas também políticas estruturais que valorizem a produção nacional e «reconheçam o papel da pequena e média agricultura e das mulheres agricultoras na defesa do ambiente e da soberania alimentar».
«Sem Agricultura Familiar, sem agricultores, não há alimento, não há território, não há futuro. É urgente agir», reforça.
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