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PSD e o «anti-sistema» Chega aliam-se numa lista comum para o Conselho de Estado

«Fui traído, apunhalado pelas costas e enganado», disse André Ventura quando saiu do PSD em 2018. Hoje, foi anunciado que o Chega e o PSD apresentaram uma lista conjunta ao Conselho de Estado na qual o presidente do partido da extrema-direita está em segundo lugar. 

CréditosTiago Petinga / Lusa

O partido que se diz «anti-sistema» faz cada vez mais parte do sistema e já não esconde o regozijo. Hugo Soares, secretário-geral do PSD, anunciou que o seu partido e o Chega apresentaram uma lista conjunta para a renovação do Conselho de Estado. 

Segundo o mesmo, «o que era normal era que houvesse uma só lista para o Conselho de Estado», deixando no ar que o PS não quis avançar em conjunto com o Chega. Todo este caso revela que, neste momento, há três partidos a querer dominar o aparelho de Estado, com a extrema-direita a revelar, cada vez mais, que não é alternativa ao «sistema», fazendo parte dele.

A lista conjunta, apresentada pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, é encabeçada por Leonor Beleza, primeira vice-presidente dos sociais-democratas e uma das figuras mais experientes do partido. Em segundo lugar surge André Ventura, líder do Chega, numa posição que garante ao partido de extrema-direita uma presença destacada no órgão.

Em declarações aos jornalistas, André Ventura não escondeu a satisfação com o acordo e deixou claro o que está em cima da mesa: «Quero voltar a sublinhar que este entendimento foi com o PSD e que o PSD, connosco, estabeleceu uma plataforma de entendimento para que preenchêssemos uma série de órgãos externos que estavam por preencher, como o Conselho Superior de Magistratura, como o Conselho Superior do Ministério Público, entre outros». O líder do Chega sublinhou ainda que a união com o PSD neste órgão «é natural e coerente».

André Ventura vê, desta forma, o seu antigo partido a indicá-lo para um importante órgão depois de em 2018, após a sua saída do PSD, ter escrito «fui traído, apunhalado pelas costas e enganado». Este acordo pode servir de antecipação para um entendimento em torno das nomeações para o Tribunal Constitucional. 
 

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