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A precariedade «não é um mal absoluto», admite Pedro Adão e Silva

A estreia do ministro da Cultura na defesa da proposta do Governo, no Parlamento, foi reveladora. Segundo Pedro Adão e Silva, «podíamos acabar» com todos os vínculos precários, mas «isso não é desejável». 

CréditosMário Cruz / Agência Lusa

A audição parlamentar do sucessor de Graça Fonseca para discutir na especialidade o Orçamento do Estado para 2022, esta quarta-feira, evidenciou a opção deste e dos anteriores executivos relativamente ao sector da Cultura e aos trabalhadores que o alimentam.  

Em resposta à deputada do PCP, Diana Ferreira, que denunciou o «desprezo» e a falta de compromissos do Governo no Orçamento do Estado, como a criação de um Serviço Nacional de Cultura, além da precariedade que grassa no sector, Pedro Adão e Silva teceu elogios ao Estatuto do Trabalhador da Cultura, bastante contestado, admitindo que «não podemos ter como ambição acabar com todos os vínculos precários na cultura».

«Acho que isso não é desejável», disse mesmo, acrescentando que, «em muitas situações, a precariedade não é um mal absoluto». 

Numa reacção às críticas de desinvestimento crónico no sector, que ainda só representa cerca de 0,25% do Orçamento do Estado, o ministro da Cultura argumentou, entre outros, com a promessa de atingir «2,5% da despesa discricionária [não obrigatória] do Estado» nos próximos quatro anos. 

Pedro Adão e Silva assume querer «revisitar» o contrato de concessão da RTP «nas suas várias dimensões». Quanto aos apoios à imprensa local e regional, admitiu que o Estado deve ter uma posição «bastante tímida e recuada».

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