Em causa estão notícias avançadas recentemente que referem que o futuro aeroporto Luís de Camões está projectado para terrenos com maior risco de sofrerem inundações na Margem Sul do Tejo e que a zona é palco de densos nevoeiros. «Expedientes», chama-lhe a plataforma num comunicado, que «atestam a que ponto a multinacional chega para manipular e intoxicar a opinião pública».
Dois anos após a conclusão dos trabalhos da Comissão Técnica Independente (CTI), que reconfirmaram os estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) de 2008 e da Declaração de Impacte Ambiental de 2010, a plataforma entende que a multinacional francesa «só não construirá» o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) «se não for obrigada a fazê-lo».
«A ANA/Vinci não larga mão de todo o tipo de expedientes para adiar aquilo que é, cada vez mais inadiável: o início das obras com vista à conclusão do NAL no Campo de Tiro», critica.
O mesmo sucede, acrescenta, quanto à alegada proposta de desviar as pistas mais para ocidente quando se sabe que a última localização (H6), em 2008, foi uma imposição da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). «Aparecer agora com uma relocalização faz parte da estratégia que poderá levar à rejeição pela APA, levando assim ao eventual chumbo do EIA [Estudo de Impacte Ambiental]», alertam os activistas.
Realçam ainda que os lucros líquidos acumulados pela ANA/Vinci entre 2013 e 2024, ascendem a cerca de 2380 milhões de euros. Segundo o contrato de concessão, a ANA/Vinci só pagou, em 2012/13, 1200 milhões de euros. Ou seja, conclui a plataforma, em 11 anos de exploração, a ANA/Vinci «embolsou o dobro do que pagou pela concessão e ainda faltam, na "melhor" das hipóteses, 39 anos de exploração».
A Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não constata, por outro lado, que, enquanto foi empresa pública, a ANA Aeroportos realizou «avultados investimentos sem qualquer ajuda do Estado», concluindo que, caso se mantivesse na esfera pública, «já teriam começado, há muito, as obras para construir o NAL».
«É preciso pôr fim ao autêntico esbulho a que o Estado e o povo português têm sido sujeitos fruto de uma privatização profundamente ruinosa», defende. Quando ao papel do Governo, afirma que «se não quiser ser complacente com estas manobras de procrastinação», deve exigir a abreviação dos procedimentos para que se avance com o início das obras, recordando que os principais instrumentos de projecto e planeamento da obra foram estudados e existem há mais 15 anos.
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