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Os Verdes querem um Tejo com um caudal ecológico garantido

«Mais que nunca, é urgente garantir o caudal ecológico, e não soluções remendadas que tragam ainda mais problemas ambientais». Bandeira Negra, dedicada ao Tejo, é hasteada hoje às 17h, na Ribeira de Santarém.

Na ponte sobre o rio Pônsul, seco, são visíveis as marcas do nível habitual da água, que desceu cerca de 15 metros devido à pouca água no rio Tejo, que atingiu os níveis mais baixos registados nas últimas décadas, Castelo Branco, 22 de Outubro de 2019. 
Na ponte sobre o rio Pônsul, seco, são visíveis as marcas do nível habitual da água, que desceu cerca de 15 metros devido à pouca água no rio Tejo, que atingiu os níveis mais baixos registados nas últimas décadas, Castelo Branco, 22 de Outubro de 2019. CréditosPaulo Novais / Agência Lusa

A Bandeira Negra, dedicada ao Tejo, vai ser hasteada na Ribeira de Santarém, «dando assim sequência ao compromisso assumido, pelo Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) e pela CDU, com o Tejo, nas últimas eleições autárquicas».

Esta bandeira visa alertar para o «estado de seca e de degradação ecológica em que o rio se encontra», assim como denunciar a «ausência de respostas e tomada de medidas ambientalmente adequadas para fazer face à situação», num período de agravamento das alterações climáticas.

A iniciativa do Partido Ecologista «Os Verdes» tem início às 17h, com uma caminhada que tem como ponto de partida o W Shopping. Daí, os participantes seguirão até à Ribeira, pelo centro histórico da cidade. Nesta acção, que conta com a participação da população scalabitana, será distribuído um folheto «alertando para preocupações e acções necessárias à defesa do rio Tejo e das populações ribeirinhas».

Enquadradas numa campanha nacional, S.O.S Natureza, «estas iniciativas de sinalização de pontos negros, através da colocação de bandeiras, serão também alargadas a outros distritos ribeirinhos do Tejo», avisa o partido ecologista.

Um Tejo ao serviço dos interesses das empresas hidroeléctricas

A Convenção de Albufeira (1998), celebrada entre Portugal e Espanha, abrange as bacias hidrográficas dos rios partilhados entre os dois países: Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. O objectivo deste acordo é definir um quadro de cooperação para a protecção das águas e dos ecossistemas aquáticos e terrestres directamente dependentes destes rios.

Altamente criticada pelos ecologistas, a convenção não estabelece caudais diários, o que resulta num caudal (quantidade de água de um rio que passa num desterminado sector), com grandes discrepâncias ao longo do ano. Apenas está definido um valor mínimo.

Análises levadas a cabo pela associação ambientalista Zero demonstram que, mais recentemente, os caudais estavam pouco acima do mínimo estabelecido de «sete hectómetros cúbicos semanais, na semana de 9 a 15 de Agosto e na semana de 16 a 22 de Agosto (12,07 e 11,90 hectómetros cúbicos, respectivamente)».

«Verifica-se também uma grande oscilação ao longo dos dias de uma mesma semana, com caudais muitíssimo reduzidos num dia e bastante mais abundantes no dia seguinte, mostrando claramente que a única preocupação é o cumprimento do total semanal estabelecido na convenção».

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