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Eucaliptos tomam conta de territórios depois dos incêndios de 2017

A área afectada, em Santa Comba Dão, pelos grandes incêndios de 2017 regista agora a maior densidade alguma vez registada desta planta, denunciam investigadores da Universidade de Coimbra.

O eucalipto é, hoje, a espécie dominante na floresta portuguesa, à frente de espécies autóctones como o pinheiro bravo e do sobreiro
O eucalipto é, hoje, a espécie dominante na floresta portuguesa, à frente de espécies autóctones como o pinheiro bravo e do sobreiroCréditos

A experiência levada a cabo por um grupo de investigadores da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) e do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, em parceria com a Câmara Municipal de Santa Comba Dão, realizou-se em cinco terrenos do concelho que arderam nos incêndios em Outubro de 2017.

O estudo concluiu que, num dos locais, foi contabilizada uma densidade de eucaliptos de 804 mil plantas por hectare, a maior alguma vez registada na literatura científica fora da Austrália.

Como elemento de comparação, o valor anterior mais elevado que os investigadores tinham encontrado na literatura era de uma estimativa de 20 mil eucaliptos por hectare, na Galiza, em Espanha. E deve ter-se em conta que a densidade normal para um eucaliptal destinado à produção situa-se entre mil a 1400 árvores por hectare.

Joaquim Sande Silva, responsável pelo estudo, explicou à Lusa que, não obstante, os terrenos foram analisados quando as plantas tinham uma idade muito precoce, sendo que a taxa de mortalidade fará reduzir consideravelmente a densidade encontrada no terreno. Com a estimativa de uma taxa de mortalidade de 30% ao ano, a densidade, ao fim de sete anos, será de 39 mil plantas por hectare.

O investigador explica ainda que o fogo de 2017 atingiu as árvores quando «estavam reunidas as condições óptimas de germinação», isto é, a explosão destas plantas fez-se assim que as cápsulas libertaram as sementes após a passagem dos incêndios.

Segundo Joaquim Sande Silva, esta situação conjugada com o facto de que muitas daquelas parcelas de terra estão sujeitas ao abandono, pode favorecer a ocorrência de novos incêndios.

Neste sentido, os investigadores recomendam o corte destas árvores, tendo em conta que os herbicidas causariam maiores impactos ambientais. A decisão de corte tem de ser feita «em idades muito precoces» das plantas, sendo preferível ocorrer no primeiro ano de vida, uma vez que «a partir do momento em que as plantas já têm três ou quatro metros de altura, a única solução é proceder a trabalhos altamente danosos para o solo», realça Joaquim Sande Silva, que entende, porém, que no caso do território afectado pelos grandes incêndios de Outubro, «a janela de oportunidade já passou».

Recorde-se que esta questão tem sido sucessivamente discutida em sede da Assembleia da República, por via de resoluções e projectos de lei que instam o Governo a tomar medidas nesta matéria.

Uma resolução do PEV aprovada (apenas com abstenções de PSD, CDS-PP, Chega e IL), e publicada no fim de Janeiro, recomenda ao Excecutivo o arranque de eucaliptos de crescimento espontâneo, para a reflorestação com espécies endógenas.

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