As declarações do Chega sobre o pacote laboral vão variando, porém fica cada vez evidente que existe vontade para viabilizar o pacote laboral. Tacticamente surge o entrave da aprovação directa, mas isso não apaga o desejo de ver aprovado o desejo do grande patronato e as ferramentas de intensificação da exploração.
Ao longo dos últimos meses Chega tem estado num impasse. Ontem, durante as suas Jornadas Parlamentares, as declarações de André Ventura representaram mais um capítulo do seu «zig-zag». Questionado sobre o seu sentido de voto e se iria acompanhar o PS na rejeição ao pacote laboral, André Ventura disse prontamente: «Não, estamos muito longe disso ainda. Ainda nem chegou ao Parlamento o diploma, nós não sabemos que diploma é esse, só pelo que temos falado e pelo que, neste caso, eu próprio tenho falado com o primeiro-ministro».
Ao longo da últimas semanas, André Ventura disse que aprovaria o pacote laboral se a idade da reforma fosse aprovada. Depois desta contrapartida ter sido amplamente criticada por toda a direita, o presidente do Chega disse que a moeda de troca era a reposição dos 25 dias de férias.
No momento em que André Ventura respondia aos jornalistas, o mesmo voltou a explicar que existe espaço para a convergência com o Governo, uma vez que o Executivo já deu razão a questões como o outsourcing e amamentação. Apesar de dizer «o Chega não assinará nunca nenhuma reforma que piore, que dificulte a vida a quem trabalha», André Ventura não recusa peremptoriamente o chumbo ao pacote laboral, um projecto que contém mais de 100 alterações a artigos do Código do Trabalho que visam retirar direitos aos trabalhadores.
Nas Jornadas Parlamentares do Chega um dos temas debatidos foi as alterações à legislação laboral num painel que contou com as deputadas Rita Matias e Catarina Salgueiro; com o vice-presidente da UGT, Rui Miranda; com o director da Associação Empresarial da Região de Viseu, Fernando Mateus; com o presidente do Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (Sinfap), Alexandre Carvalho; e com a antiga bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, que recentemente foi absolvida da acusação de desvio de dinheiro e que não voltará às malhas da justiça porque o Ministério Público deixou passar o prazo para recorrer por lapso.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui