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Lusa: o dia em que as notícias vão (quase) parar

Os serviços da Lusa que o Governo quer desmantelar são usados por praticamente todos os órgãos de comunicação social em Portugal, dos maiores aos mais pequenos. Trabalhadores da agência avançam com greve no dia 20.

Reunidos em plenário no dia 15 de Março de 2023, dezenas de trabalhadores da Agência Lusa, agência pública de notícias (50,15% do Estado português, 23,36% da Global Media, de Marco Galinha), decidiram avançar com quatro dias de greve: entre os dias 30 de Março e 2 de Abril. Lisboa Créditos / SITE CSRA/CGTP

Salvaguardar a «autonomia da Lusa» é, em todos os sentidos, salvaguardar a «liberdade de imprensa e de informação» em Portugal. Num país em que as redacções (as que ainda sobrevivem) estão cada vez mais diminuídas, precarizadas e subfinanciadas, o trabalho da agência Lusa assume contornos de excepcional importância, assegurando uma cobertura ampla da realidade portuguesa.

O Estado português, ao ter adquirido a totalidade da agência Lusa em Novembro de 2025, tinha uma oportunidade única para «reforçar o papel de referência da Lusa enquanto prestador de serviço público de jornalismo, para criar mecanismos de protecção da independência editorial face a ingerências externas e para valorizar os trabalhadores», refere, em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ). O PSD/CDS-PP fez exactamente o contrário.

Neste momento, a Lusa está a ser alvo de um plano de rescisões voluntárias e de um plano de transferência das suas instalações para o campus da RTP, o que pode «diminuir a independência funcional da agência e levar, a prazo, ao seu desmantelamento», defendem os trabalhadores da agência, em plenário. A larga maioria dos trabalhadores presentes nesta acção aprovaram a decisão de avançar com uma greve no dia 20 de Maio.

Os trabalhadores da Lusa exigem também a imediata negociação do caderno reivindicativo, «numa altura em que já foi ultrapassado o prazo legal para o Conselho de Administração apresentar uma contraproposta» e uma revisão dos novos estatutos da empresa - estatutos esses que abrem a porta à «influência política e de governamentalização» da agência, refere o SJ, «ferindo a protecção de independência dos jornalistas».

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