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|Galiza

Milhares em Compostela reclamam galego para «todos os espaços e usos»

Enorme mobilização em Compostela em resposta ao apelo da plataforma Queremos Galego, com a Praça da Quintana pequena para tanta gente a defender a sua língua e a denunciar os ataques do PP.

Créditos / CIG

A mobilização deste domingo – Dia das Letras Galegas – contou com o apoio de organizações políticas, sindicais, profissionais, sociais e culturais, e desenvolveu-se num quadro de «emergência linguística», marcado pelos ataques recentes do PP espanhol.

Numa Praça da Quintana a rebentar pelas costuras, Marcos Maceira, porta-voz da Queremos Galego, destacou que os milhares que se manifestaram nas ruas o fizeram para mostrar «a força de um povo que não se rende, que defende a sua língua sem vergonha e com as suas próprias mãos».

Maceira foi uma de várias pessoas a discursar no acto que antecedeu o final da mobilização, que contou também com as intervenções da actriz Isabel Naveira, da presidente da Associação de Actores e Actrizes da Galiza, Eva Forneas, da representante da Associação para a normalização do galego das Astúrias, Natalia Jardón, e da coordenadora da Queremos Galego, Cellia Armas – todas a alertar para «a situação de emergência» em que se encontra o galego.

O porta-voz da Queremos Galego analisou a situação do galego, tendo criticado a política linguística da Xunta da Galiza e referido as agressões à língua nos últimos tempos.

Face à situação de emergência, «o governo de Rueda só reforçou a exclusão do galego com medidas inéditas na história autonómica, escondendo-se atrás de umas supostas comissões para a revisão do Plano Geral de Normalização Linguística que nunca quiseram executar», denunciou Maceira, citado pelo diário Nós.

Situação de emergência

«A emergência linguística é o resultado das restrições impostas ao galego na educação, nos serviços públicos, na banca, no comércio, na cultura e nos media», afirmou Maceira, que criticou a «insistência» da Xunta «em proibir a nossa língua no ensino por decreto», bem como «as infames alterações legais» do governo galego «com vista a eliminá-la dos serviços públicos, da TVG e da UNESCO».

Maceira defendeu como «única alternativa possível, viável e realista» para recuperar o uso do galego «o protocolo Lingua Vital Xa», uma iniciativa promovida pela Queremos Galego que contou com a participação de dezenas de entidades sociais e pessoas preocupadas com a situação da língua. Sobre este ponto, destacou que se trata do «verdadeiro pacto para a língua».

«Não é um anúncio. É o pacto social do galego. A ferramenta para que não tenhamos de dar explicações ou nos justificar por falar galego, por querer falá-lo, lê-lo, ouvi-lo, querer ouvi-lo, vivê-lo e querer viver nele, por transmiti-lo às nossas filhas e aos nossos filhos, apesar das condições hostis à língua que a Xunta criou em todas as áreas, a começar pela educação», sublinhou, citado pela fonte.

O representante da Queremos Galego instou ainda Alfonso Rueda a «corrigir esta situação e a deixar de ser o único presidente do mundo que renega a língua do seu país». No entanto, ao dirigir-se ao presidente da Xunta, insistiu que «não vamos esperar por si. Vamos reverter a emergência linguística com força, união e o trabalho conjunto de uma sociedade que ama a sua língua porque ela é vital para a sua existência e o seu desenvolvimento».

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