O debate quinzenal correu bem ao Governo depois deste sair do Parlamento com a garantia que a extrema-direita poderá continuar a ser a sua muleta. O primeiro-ministro garantiu que não é tempo de privilegiar ou excluir nenhum grupo parlamentar para negociar a reforma laboral, e o Chega, que dá o dito por não dito a todo e qualquer momento, manifestou disponibilidade para aprovar o pacote laboral.
Acontece que o Chega, de forma a não mostrar que de facto está sempre pronto para salvar o Governo e os grandes interesses, colocou uma condição: baixar a idade da reforma. A táctica é simples. O partido de André Ventura encena estar agir em prol dos interesses dos trabalhadores e, desta forma, prepara-se para aprovar tudo aquilo que os penaliza, numa clara instrumentalização dos idosos.
Note-se que a intervenção de André Ventura foi um espectáculo de contradição e oportunismo. O líder do partido de extrema-direita disse que «o Chega não viabilizará qualquer reforma que penalize mães trabalhadoras, trabalhadores por turnos ou o pagamento de horas extraordinárias» para depois dizer «Se quer fazer isto, vai ter mesmo de baixar a idade da reforma em Portugal». Mais uma vez, André Ventura mostrou que, afinal, não quer saber das tais mães trabalhadoras ou trabalhadores por turnos.
Neste tópico, a real oposição ao pacote laboral veio pelo PCP. Paulo Raimundo acusou o Executivo de apresentar um pacote que obriga os jovens a trocar «trabalho extraordinário por trabalho não pago», quando «milhares de portugueses sobrevivem com duplo emprego e recorrem a biscates para subsistir».
«O povo aguenta, as Galps vão enchendo os bolsos e a receita é um pacote laboral para fazer andar para trás quem trabalha», atirou o secretário-geral dos comunistas, reclamando a fixação de preços face ao custo «brutal» dos alimentos em vez da pressão sobre os direitos laborais.
Em resposta, o primeiro-ministro voltou à cassete fiscal para dizer que neste campo os jovens estão a ser valorizados, optando por não dizer que são aqueles com mais rendimentos. Sobre o pacote laboral, Luís Montenegro deu uma resposta que não deixa a UGT muito bem vista: «o Governo já conseguiu consensualizar 132 com todos os parceiros sociais que estiveram disponíveis».
Já pelo Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo questionou em que medida a reforma laboral torna o país mais competitivo, uma vez que o objectivo passa por perpetuar uma política de baixos salários. Em resposta, Luís Montenegro, ignorando a realidade e os seus já dois anos de governação foi buscar o denominado período da «geringonça» para dizer que nesse período a vida dos portugueses estava pior.
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