Setenta e oito anos depois da Nakba, o povo palestiniano continua a resistir à ocupação, à deslocação forçada e à destruição do seu sistema de saúde, pelo que profissionais da saúde em vários pontos do mundo estão envolvidos numa campanha de boicote à Associação Médica Israelita.
A campanha, lançada por organizações como Médicos por Gaza (Países Baixos), Saúde Global BDS (Reino Unido), Trabalhadores da Saúde pela Palestina (Espanha), Médicos contra o Genocídio (EUA) e Movimento pela Saúde dos Povos, visa responsabilizar a associação israelita por negligência da ética médica, incluindo violações das Declarações de Genebra e Tóquio da AMM.
De acordo com os promotores, o sector da saúde é usado como arma contra os palestinianos através da destruição física deliberada de instituições médicas, dos assassinatos e detenções de profissionais da saúde palestinianos.
Além disso, denunciam, «o bloqueio contínuo da ajuda médica e humanitária à Palestina por parte de Israel restringe a entrega de medicamentos, equipamento, combustível e pessoal humanitário, impedindo o acesso a cuidados essenciais».
Os organizadores destacam a cumplicidade da Associação Médica Israelita com a tortura e o tratamento desumano a prisioneiros palestinianos no sistema prisional da ocupação – «o que viola princípios fundamentais da ética médica».
Associação israelita «deu luz verde ao genocídio»
Além de ter justificado o ataque militar das forças de ocupação ao Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza, não ter condenado a atitude de médicos israelitas que se recusaram a tratar palestinianos de Gaza, não ter condenado os 80 médicos israelitas que, em Novembro de 2023, apelaram publicamente ao bombardeamento de hospitais na Faixa de Gaza, a Associação Médica Israelita «não fez nada para se opor ao assassinato e ferimento de centenas de milhares de palestinianos» no enclave, «nem à destruição do sistema de saúde local».
Neste sentido, a Associação Médica Israelita «deu, efectivamente, luz verde ao genocídio», acusam os promotores, lembrando que o pedido de boicote é também motivado pelo apelo do povo palestiniano ao boicote a todas as organizações e instituições israelitas cúmplices com o genocídio.
A Associação Médica da África do Sul (SAMA) e a Associação Médica Britânica (BMA) já cortaram relações com a organização israelita. Em Setembro do ano passado, a Associação Médica Turca e a BMA emitiram uma declaração conjunta a apelar à «acção por Gaza», antes da assembleia geral da AMM que teve lugar no Porto, em Outubro de 2025.
A campanha agora em curso também está relacionada com a conferência da AMM, que tem lugar em Outubro próximo, em Roterdão, visando recolher assinaturas de médicos e outros profissionais da saúde e levar a que a associação israelita seja suspensa da AMM.
Até dia 15 deste mês, o documento da campanha tinha sido firmado por 579 pessoas. Citado pelo Peoples Disptach, o Movimento pela Saúde dos Povos afirmou que esta campanha não tem a ver apenas com o «silêncio e a falta de acção» da associação israelita, «mas também com a [sua] participação descarada no genocídio».
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