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|Chile

A 50 anos da «Calle Conferencia», alerta no Chile para os retrocessos

Numa sessão de homenagem, em Santiago, aos comunistas presos e desaparecidos há 50 anos, vários oradores alertaram para os retrocessos em matéria de direitos humanos com o actual governo no Chile.
Em Santiago, lembrou-se a operação de extermínio contra o PCC e a juventude comunista lançada pela ditadura em 1976 e alertou-se para retrocessos no presente Créditos / pcchile.cl

Em Maio de 1976, a polícia secreta da ditadura fascista raptou, de uma casa na Calle Conferencia (comuna de Santiago), Jorge Muñoz, marido da activista Gladys Marín, juntamente com Mario Zamorano, Uldarico Donaire, Jaime Donato e Elisa Escobar.

Posteriormente, outros membros da direcção clandestina do Partido Comunista do Chile (PCC) foram detidos e quase uma centena de militantes foram presos, torturados e executados, e mais do dobro forçados ao exílio, numa tentativa da ditadura de Pinochet de exterminar o partido e a juventude comunista, recordou este sábado o presidente do PCC, Lautaro Carmona.

No entanto, em dois anos a direcção estava novamente a funcionar em pleno e nela se integraram aqueles que regressaram, apesar da tenebrosa Operação Condor, disse, citado pela Prensa Latina.

Carmona declarou que, 50 anos após estes acontecimentos, o Partido Comunista do Chile vive e continua a lutar pelas causas e princípios nobres e justos que inspiraram as vítimas do massacre da Calle Conferencia, bem como pela solidariedade com os povos de Cuba, Gaza, Líbano e África.

No evento, o máximo dirigente dos comunistas chilenos chamou a atenção para aqueles que, na actualidade, procuram destruir, marginalizar e até ilegalizar o partido, tal como tentaram fazer nas décadas de 1980 e 1990.

O actual governo, liderado de José Antonio Kast, propôs-se reverter os avanços alcançados em matéria de direitos humanos, de avanços políticos, económicos e sociais, denunciou.

Defender direitos no parlamento e nas ruas

Ao intervir na cerimónia em Santiago, a deputada Lorena Pizarro, filha de um dos dirigentes sequestrados em 1976, destacou a resistência, a coragem, o espírito consequente e coerente dos que entregaram o bem mais valioso que uma pessoa tem: a vida.

Pizarro exortou os presentes a defender os direitos, em todos os espaços, tanto no parlamento como nas ruas, e a não permitirem nenhum retrocesso .

Por seu lado, Alicia Lira, presidente da Associação de Familiares de Executados Políticos, denunciou os retrocessos nos direitos humanos com o actual governo, como a suspensão do Plano de Busca dos mais de mil detidos desaparecidos.

Em declarações à Prensa Latina, a associação referiu-se também à falta de verbas para os espaços da memória, a tentativa de indultar os responsáveis ​​por crimes contra a humanidade e os benefícios concedidos aos reclusos de Punta Peuco.

Na iniciativa, em que participaram familiares de vítimas, dirigentes políticos e sociais, militantes do PCC e representantes de organizações de direitos humanos, Irací Hassler, deputada e ex-autarca de Santiago, frisou a importância de recordar as atrocidades cometidas pela ditadura de Pinochet (1973-1990) para se poder construir uma sociedade democrática, com justiça e garantias de não repetição.

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