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A Venezuela é o «centro de interesses geopolíticos imperialistas»

Numa entrevista concedida à Prensa Latina o líder da diplomacia venezuelana, Jorge Arreaza, afirmou que o seu país é «o centro dos interesses geopolíticos do imperialismo», com os EUA à cabeça.

Mural «chavista» em Caracas
Mural «chavista» em Caracas Créditos / greenleft.org.au

Entrevistado pela jornalista Yadira Cruz Valera, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela perspectivou as relações do governo bolivariano com a actual administração norte-americana, tendo afirmado que estas nem sequer dependem da elite dominante no país da América do Norte ou de quem ocupa a Casa Branca, porque «a essência é o imperialismo».

«É uma rede, uma engrenagem de interesses corporativos, militares, tecnológicos industriais, financeiros que actuam através de determinadas entidades políticas, como é o caso do governo norte-americano; pelo que, sabendo que o seu objectivo é controlar a Venezuela para satisfazer os seus próprios interesses, é pouco o que se pode esperar», sublinhou.

«as relações do governo bolivariano com a actual administração norte-americana [...] nem sequer dependem da elite dominante no país da América do Norte ou de quem ocupa a Casa Branca, porque "a essência é o imperialismo"»

Jorge Arreaza

«Para nós – disse –, que estamos já há 22 anos como Revolução no poder, é uma aprendizagem a relação e a interacção com a elite dominante de Washington, e podemos chegar facilmente à conclusão de que o imperialismo é um e nem sequer é apenas os Estados Unidos.»

No entanto, a Venezuela é «firme na sua política, na sua resistência», pelo que, defendeu, ao novo governo norte-americano «não deve ser útil» continuar com as agressões. «Nesse caso, estaremos sempre dispostos a dialogar, a ouvir, a cooperar tendo como base o respeito mútuo. Se os Estados Unidos quiserem, nós queremos, e, se não quiserem, venceremos da mesma forma», declarou.

Na entrevista à Prensa Latina, Jorge Arreaza destacou ainda a existência do interesse geopolítico e ideológico das grandes potências, uma vez que, durante muito tempo, os governos do país sul-americano foram servis perante esse interesse e permitiram que os grandes recursos fossem saqueados – alvo que viria a mudar com o triunfo da Revolução.

«Existem grandes lobbies cujo interesse imperial é derrubar a Revolução socialista e assumir o controlo político, económico e cultural do país, […] para ter nas suas mãos a jóia da coroa desta América do século XXI», disse.

Denúncia do bloqueio e das sanções será sempre um tema central

Neste sentido, sublinhou que «denunciar a ilegalidade do bloqueio dos EUA será sempre um dos temas principais da política externa do país e, tal como Cuba o fez ao longo de 60 anos, é necessário insistir uma e outra vez que se trata de uma agressão, de um dano ao povo venezuelano».

«Essas medidas coercivas, unilaterais e arbitrárias que geram os bloqueios estão à margem do direito internacional, são criminosas», frisou.

No entender do chefe da diplomacia venezuelana, cada vez mais os países ganham consciência do dano causado por essas acções punitivas e percebem a necessidade de as enfrentar e denunciar. Acrescentou que, se todos os governos dos países que sofrem as consequências dessa política agressiva e hostil por parte de Washington trabalharem em conjunto, «há esperança de que em breve os organismos internacionais as condenem».

«Essas medidas coercivas, unilaterais e arbitrárias que geram os bloqueios estão à margem do direito internacional, são criminosas»

Jorge Arreaza

No que respeita à queixa interposta pela Venezuela contra os Estados Unidos no Tribunal Penal Internacional (TPI), disse que se destina a acusar os funcionários do governo norte-americano que firmaram ordens executivas e de viva voz fizeram parte das agressões contra a Venezuela.

«O TPI actua sobre responsabilidades individuais, por isso apresentámos elementos probatórios de que essas medidas provocaram fome, morte, doença. Estamos a representar todos os países submetidos a essas sanções», explicou à jornalista.

Arreaza disse que, neste momento, o proceso apresentado a 13 de Fevereiro de 2020 está a ser avaliado pela Procuradoria da entidade judicial, que deverá pronunciar-se este ano e determinar se deve passar ao tribunal para que este responsabilize individualmente quem agrediu a Venezuela.

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