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Trump recua: tecnológicas americanas podem vender à Huawei

A cimeira dos G20 no Japão foi o cenário escolhido pelo presidente dos EUA para anunciar o que já se previa: as empresas americanas podem continuar a vender produtos à Huawei, como exigiram a Trump.

Logótipo da Huawei num edifício de Kuala Lumpur, Malásia, a 17 de Junho de 2019. A maioria dos países do Sudeste Asiático, como a Malásia, Singapura ou a Tailândia, ignoraram a chamada «Guerra Fria 5G» dos EUA contra a Huawei.
Logótipo da Huawei num edifício de Kuala Lumpur, Malásia, a 17 de Junho de 2019. A maioria dos países do Sudeste Asiático, como a Malásia, Singapura ou a Tailândia, ignoraram a chamada «Guerra Fria 5G» dos EUA contra a Huawei. CréditosEPA/FAZRY ISMAIL / LUSA

No final de uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping realizada em Osaka, Japão, Donald Trump anunciou que vai permitir às empresas norte-americanas a venda de produtos à gigante chinesa das telecomunicações Huawei, noticiou a Agência Lusa.

A declaração era esperada mais tarde ou mais cedo, depois de se saber que as maiores tecnológicas norte-americanas estavam a exercer uma poderosa acção de lobby junto do governo dos EUA para que fossem levantadas as sanções prometidas por este às empresas que negociassem com a Huawei.

Em 17 de Junho último foi conhecido que gigantes de Silicon Valley como a Qualcomm, Xilinx, Microsoft ou Google, «preocupados com a perda iminente de bilhões de dólares», estavam a pressionar a administração Trump «de forma discreta» para que esta recuasse na proibição a empresas americanas de venderem componentes à Huawei, «a seguir a esta empresa e 70 das suas subsidiárias terem sido colocadas numa lista negra» por Washington.

As autoridades chinesas descartaram veementemente as acusações de que a Huawei poderia significar um perigo para a segurança de outros países, incluindo os EUA. Referindo-se à posição norte-americana, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da república Popular da China (RPC), Geng Shuang, declarou a 24 de Junho: «em resposta às autoridades americanas, quero dizer-lhes que vivem num estado de pânico auto-induzido e estão a chegar a uma situação perversa em que vêem ameaças por todo o lado».

No dia seguinte Ding Yun, um quadro superior da Huawei, anunciava ao Global Times que, apesar do crescente assédio e ataque dos EUA, a Huawei Technologies tinha duplicado, em apenas 15 dias, os seus contratos internacionais na tecnologia 5G, continuando a fornecer as principais operadoras na Europa, Ásia e Médio-Oriente.

«Actualmente, dois terços das redes globais 5G existentes são movidas pelas tecnologias da Huawei», afirmou o gestor, fazendo notar que a empresa acabava de ajudar a Arábia Saudita a lançar a rede comercial 5G naquele aliado de longa data de Washington.

A 28 de Junho o CEO da Huawei preveniu a Google de que esta perderia cerca de 800 milhões de usuários se a Huawei abandonar o Android, sistema operacional actualmente desenvolvido pela Google.

As declarações foram feitas por Ren Zhengfei em entrevista à cadeia de televisão norte-americana CNBC. Anteriormente a Huawei tinha feito saber que estava a desenvolver o seu próprio sistema operativo, chamado Hongmeng, e que o mesmo se encontrava devidamente patenteado.

À CNBC o CEO da Huawei sublinhou que o Hongmeng permitirá à empresa proteger o seu crescimento caso se veja forçada a substituir o Android, dando também a entender que essa medida apenas seria tomada se a empresa a tal fosse obrigada pelas sanções de Washington.

Uma guerra comercial perde-perde

Relativamente à guerra comercial movida pelos Estados Unidos da América (EUA) contra a República Popular da China (RPC), Trump prometeu suspender «por enquanto» o aumento de tarifas alfandegárias sobre importações chinesas, como tem vindo a ameaçar.

O encontro deu-se à margem da cimeira dos G20, na qual participam os os líderes das maiores economias mundiais, e abre a possibilidade a que as negociações entre as duas maiores potências mundiais, abruptamente interrompidas em Maio possam vir a ser retomadas a curto prazo, embora a actuação errática do presidente dos EUA deixe num limbo qualquer previsão credível.

«Continuaremos a negociar», garantiu o presidente norte-americano no final do encontro com o seu congénere chinês, acrescentando que a reunião entre os dois correu «muito bem» e que as negociações estão «de volta ao caminho certo».

Já o presidente chinês preferiu produzir as suas declarações mais significativas antes da reunião entre os dois estadistas. Apesar das grandes mudanças que ocorreram na situação internacional e nas relações entre Pequim e Washington, durante os últimos 40 anos, Xi Jinping afirmou haver há «um factor básico que permanece inalterado: a China e os Estados Unidos beneficiam da cooperação e perdem no confronto».

«A cooperação e o diálogo são melhores do que atritos e confrontos», resumiu Xi a Trump.

Cerca de uma hora depois do encontro entre ambos os presidentes, um dos gigantes tecnológicos norte-americanos, a Apple, vibrava novo golpe na política de sanções do presidente Trump, anunciando que iria transferir para a China a montagem do novo computador Mac Pro da Apple, o último grande dispositivo da empresa a ser produzido nos EUA. A montagem do novo desktop de alta tecnologia da Apple será feita pela Quanta Computer Inc., uma empresa electrónica de Taiwan cuja fábrica está localizada em Xangai, na RPC, segundo reporta a RT News.

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