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Gregos manifestam-se em Atenas contra o «orçamento da guerra e da miséria»

Milhares de pessoas mobilizaram-se na capital grega, esta terça-feira, em protesto contra o Orçamento do Estado para 2026, promovido pelo governo liberal de Mitsotakis e em debate no Parlamento.

Milhares de trabalhadores mobilizaram-se em Atenas contra um orçamento que, denunciam, aprofunda a desigualdade e a precariedade Créditos / pamehellas.gr

Trabalhadores do sector público, independentes, agricultores, médicos e professores participaram numa jornada de greve e mobilização convocada por diversos sindicatos, incluindo a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), repudiando aquilo que designam como o «orçamento da guerra e da miséria» promovido pelo governo liberal de Kyriakos Mitsotakis.

A mobilização desta terça-feira ao fim da tarde na Praça Syntagma coincidia com o debate e a votação final do orçamento, que foi aprovado e que inclui aumentos nas despesas militares e cortes nas áreas sociais.

Junto ao Parlamento, indica o portal nuevarevolucion.es, os manifestantes criticaram a ênfase numa «economia de guerra» alinhada com as prioridades da NATO e da UE, enquanto sectores como a agricultura sofrem com os atrasos na atribuição de subsídios e perdas por catástrofes naturais.

Intervieram na mobilização representantes de diversos sectores. Manos Papageorgiou, soldado das forças especiais, foi um dos oradores: «Nós, soldados, não nos tornaremos carne para canhão para os lucros dos imperialistas. Não pagaremos o preço da transição para uma economia de guerra», disse, citado pela fonte.

Por seu lado, Rizos Maroudas, presidente da Federação Pan-Helénica de Associações Agrícolas e figura destacada nas mobilizações recentes com tractores, afirmou que os agricultores «não darão um passo atrás nos bloqueios». «Esta será uma vitória para todo o povo», acrescentou.

Cortes nas despesas sociais

Na mobilização, que decorreu com forte presença policial no centro de Atenas, os sindicatos denunciaram que o orçamento dá prioridade à despesa com armamento e ao cumprimento de metas fiscais da União Europeia (UE) à custa das necessidades sociais, num contexto de inflação persistente e salários estagnados.

Trabalhadores das autarquias locais também denunciaram os baixos salários, afirmando que são curtos para chegar ao fim do mês. Por seu lado, Argyria Rotokritou, médica presente na manifestação, disse à Reuters que se trata de «um orçamento que corta milhões aos hospitais públicos, onde também trabalho, e canaliza o dinheiro para as despesas militares».

O descontentamento com o executivo da Nova Democracia voltou a ficar patente no país helénico, onde se têm sucedido os protestos a nível nacional e sectorial contra as políticas que servem o grande capital e aprofundam «a exploração e a pobreza, a desigualdade e a precariedade».

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