|Síria

Trump, Mattis, Macron, Merkel falam da «necessidade» do ataque

A Alemanha, que decidiu não participar na operação militar contra Damasco, qualificou-a como «necessária e apropriada». Macron promete novos ataques. No Pentágono, reina a «ponderação».

Emmanuel Macron e Donald Trump, em Paris, para acertar agulhas sobre a resposta a dar ao «ataque com armas químicas do regime»
Emmanuel Macron e Donald Trump, em Paris, para acertar agulhas sobre a resposta a dar ao «ataque com armas químicas do regime»Créditos / Sputnik News

«Missão cumprida», declarou Donald Trump na primeira intervenção após a agressão à Síria. «Operação executada com perfeição», acrescentou. De acordo com as intervenções do presidente norte-americano imediatamente antes e depois do ataque, os objectivos pretendidos por Washington serão: «desmantelar o programa de armas químicas» da Síria; obrigar Damasco «a declarar essas armas»; «destruir as munições e as instalações existentes associadas às armas químicas»; permitir as acção da organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ)»; «travar a escalada de tensão». Apesar de responsáveis norte-americanos afirmarem que se tratou de um «ataque único», a formulação destas exigências, em relação às quais não existem provas de existência dos pretextos invocados, pressupõe que as opções deste tipo permanecem em aberto.

O secretário norte-americano da Defesa, James Mattis, declarou-se «seguro de que a Síria usa armas químicas». Foi a primeira vez que tal aconteceu porque, em todas as suas anteriores afirmações sobre o assunto, Mattis fizera questão de salientar que os Estados Unidos não tinham qualquer prova de que as forças regulares sírias utilizam armas químicas. Ainda de acordo com o secretário norte-americano da Defesa, «foi um ataque pesado mas proporcionado», dirigido «contra o regime sírio mas de maneira a evitar danos civis». O Pentágono «não tem mais ataques planeados», de acordo com James Mattis, um dado que foi aparentemente confirmado pelo chefe da Junta de Estados Maiores, general Dunford, ao afirmar que «esta operação acabou».

Minutos depois de iniciada a agressão ilegal contra a Síria, a administração Macron em Paris divulgou um relatório dos serviços secretos segundo o qual «Damasco mantém um programa de armas químicas desde 2013». O documento admite, porém, que as autoridades francesas não têm em seu poder quaisquer amostras que comprovem a utilização de armas químicas no suposto ataque cometido há uma semana em Douma.

Na comunicação aos franceses em que anunciou ter dado a ordem para a agressão, o presidente Macron informou que o objectivo era «atacar as capacidades do regime» para fabricar e utilizar armas químicas; e prometeu «novos ataques se a Síria voltar a usar armas químicas». As declarações foram proferidas horas antes do previsto início da missão de investigação em Douma, a cargo da OPAQ. Até ao momento, todas as informações disponíveis sobre o suposto atentado com armas proibidas partiram da «organização humanitária» Capacetes Brancos, que actua comprovadamente em zonas sob o controlo da Al-Qaeda e do Estado Islâmico, e se vem revelando como um braço de serviços secretos ocidentais.

A Alemanha, cuja posição foi de não participar na operação militar contra Damasco, declarou pouco depois a sua concordância com a agressão, que qualificou como «necessária e apropriada».

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