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Trégua no Iémen prolongada por mais dois meses

As partes em conflito aceitaram renovar o cessar-fogo vigente no país árabe por um período de dois meses, anunciou um representante das Nações Unidas esta quinta-feira, horas antes de a trégua expirar.

Casa destruída pelos bombardeamentos sauditas desta madrugada 
Casa destruída pelos bombardeamentos sauditas Créditos / Al Jazeera

«Gostava de anunciar que as partes em conflito aceitaram a proposta das Nações Unidas de renovar a trégua vigente no Iémen por mais dois meses», disse o enviado especial da ONU para o Iémen, Hans Grundberg, num comunicado emitido esta quinta-feira.

«O prolongamento da trégua entra em vigor quando o actual período de cessar-fogo expirar, hoje, 2 de Junho, às 19h, hora do Iémen», afirma o texto.

O acordo inicial de cessar-fogo entrou em vigor a 2 de Abril deste ano, na sequência das negociações mediadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) entre a coligação liderada pelos sauditas e o movimento de resistência Huti Ansarullah.

Hans Grundberg referiu que a trégua se mantém nos mesmos termos do acordo original, sublinhando que, «nos últimos dois meses, a população experimentou benefícios tangíveis da trégua, as baixas civis diminuíram significativamente, a entrada de combustíveis no país aumentou de forma considerável e os voos comerciais foram retomados para e a partir de Saná».

No entanto, o enviado da ONU destacou a necessidade de «abordar com urgência» o bloqueio terrestre, aéreo e naval imposto ao Iémen por Riade e seus aliados. «Para que a trégua atinja plenamente o seu potencial, será necessário tomar medidas adicionais, particularmente no que respeita à abertura de estradas e às operações de voos comerciais», disse, citado pela PressTV.

«Continuarei a dialogar com as partes para implementar e consolidar plenamente todos os elementos da trégua, e avançar para uma solução política sustentável para o conflito que satisfaça as legítimas aspirações das mulheres e dos homens iemenitas», afirmou Grundberg.

Nos últimos dois meses, ambas as partes se acusaram de violar repetidamente a trégua em curso, mas, tal como ressaltou o enviado da ONU em meados de Maio, «verificou-se uma redução drástica nos combates».

Mais de sete anos de guerra de agressão

Em Março último, cumpriram-se sete anos da guerra de agressão contra o Iémen. A Arábia Saudita, com o apoio dos EUA, do Reino Unido e de outras potências ocidentais e regionais, lançou uma campanha militar contra o vizinho do sul, tendo como objectivo declarado suprimir a resistência do movimento Huti Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade, sem sucesso.

A agressão militar, que destruiu as infra-estruturas do mais pobre dos países árabes e provocou milhares de mortos, feridos e deslocados, esteve na origem daquilo que as Nações Unidas classificaram como a mais grave crise humanitária dos tempos modernos.

Os EUA destacaram-se como um dos grandes fornecedores de armamento à monarquia saudita, tendo lucrado milhares de milhões de dólares com esta guerra – ao lado do Reino Unido e de uma lista mais longa, que inclui a Alemanha, a França, o Canadá e outros.

Em Novembro do ano passado, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento afirmou que, no final de 2021, o número de pessoas mortas na guerra, por motivos directos ou indirectos, devia atingir os 377 mil.

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