Trabalhadores indianos realizaram uma das maiores greves gerais da história

Entre 200 e 300 milhões de trabalhadores aderiram, sexta-feira, à greve geral convocada por dez sindicatos na Índia. Em causa estão os planos governamentais de privatizar sectores estratégicos da economia, bem como a exigência de melhores salários e pensões.

A greve geral realizada dia 2 de Setembro na Índia foi uma das maiores de sempre na história, com uma adesão que se estima superior a 200 milhões de trabalhadores
A greve geral realizada dia 2 de Setembro na Índia foi uma das maiores de sempre na história, com uma adesão que se estima superior a 200 milhões de trabalhadoresCréditosHispanTV

Os números variam consoante as fontes, mas todas sublinham que se tratou de uma maiores greves alguma vez realizadas. Em estados como Bengala, Kerala ou Andhra Pradesh, onde a influência comunista é grande, a paralisação foi total; noutros estados indianos, mesmo com uma menor adesão, a greve teve uma dimensão gigantesca, refere o Resumen Latinoamericano.

No sector público, a adesão dos trabalhadores foi enorme, mas também na indústria, nos transportes, nos bancos privados, nas minas, na construção civil, nas empresas de telecomunicações se registaram elevadas adesões. Sintoma disso foi a paralisação que se fez sentir nos transportes urbanos, comboios, portos, fábricas e diversos serviços em cidades de grande dimensão, como Deli, Bombaim ou Calcutá. A cintura industrial de Deli esteve completamente paralisada.

Firmeza dos trabalhadores

Desde que chegou ao governo, há dois anos, Narendra Modi tem implementado políticas de flexibilização das leis laborais, para beneficiar as grandes empresas e atrair mais investimento estrangeiro. A greve de sexta-feira surge como resposta a estes planos e tem antecedentes tanto em vários protestos sectoriais como na greve geral desencadeada há um ano, pois os sindicatos temem que os planos de liberalização se venham a reflectir negativamente nos salários e nas políticas de emprego.

Entre as exigências expressas pelos sindicatos nesta greve geral, contavam-se ainda: a retirada da reforma laboral promovida pelo partido conservador Bharatiya Janata, de que é membro o actual primeiro-ministro; o aumento do salário mínimo; a revalorização das pensões; o alargamento da cobertura da Segurança Social a faixas de trabalhadores – muito numerosos – ainda não abrangidas.

Dias antes da greve, Narendra Modi tentou fazer algumas ofertas, como o aumento do salário mínimo para os trabalhadores não qualificados (350 rupias diárias), mas a proposta foi recusada pelos sindicatos, considerando que a medida iria afectar apenas algumas centenas de milhares de operários, deixando nas mesmas condições os cerca de 470 milhões de trabalhadores indianos.

De acordo com o Resumen Latinoamericano, registaram-se fortes confrontos com a Polícia em Bengala Ocidental, mas, no geral, a jornada de luta decorreu sem incidentes graves.

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