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Trabalhadores da petrolífera estatal uruguaia em defesa da negociação colectiva

Os trabalhadores da Administración Nacional de Combustibles (Ancap) voltaram à greve, esta quinta-feira, contra a decisão da empresa de denunciar os acordos colectivos e de encerrar instalações.

Instalações da refinaria da Ancap em La Teja (Uruguai) 
Instalações da refinaria da Ancap em La Teja (Uruguai) Créditos / subrayado.com.uy

Em declarações à imprensa, Gerardo Rodríguez, presidente da federação sindical Fancap, acusou o governo de Lacalle Pou «de procurar criar um clima de conflito com o sindicato, de nos empurrar para uma situação em que isso signifique algum tipo de desabastecimento que nos ponha contra a sociedade».

O sindicato entende que há que ler os ataques à organização sindical, e aos seus dirigentes em particular, como parte «da investida da direita neoliberal, classista e autoritária» contra aqueles que, historicamente, fizeram frente a esse modelo, e lembra que «assim ocorreu na ditadura, na década de 1990 e em 2003», lê-se no portal do Plenário Intersindical dos Trabalhadores – Convenção Nacional dos Trabalhadores (PIT-CNT).

Depois de o governo e a direcção da Ancap terem decidido não renovar os acordos colectivos celebrados com o sindicato, encerrar duas instalações da empresa (em Carrasco e Laguna del Sauce) e prescindir dos serviços do navio de distribuição Malva H, a Fancap anunciou que não punha de parte «nenhuma forma de luta» e reafirmou a defesa da negociação colectiva.

Denunciando aquilo que caracteriza como «estratégia de desmantelamento da empresa pública», os trabalhadores decidiram avançar para a greve, tendo garantido à população que a distribuição dos combustíveis não seria posta em causa.

A paralisação desta quinta-feira afectou os escritórios centrais da empresa e várias unidades de produção e distribuição no país, estando prevista nova greve para a próxima segunda-feira.

Em comunicado, o Secretariado Executivo do PIT-CNT alertou também para o desmantelamento da empresa estatal e para a entrega de várias unidades de produção ao capital privado, chamando a atenção para a possibilidade de despedimentos, uma vez que vários trabalhadores têm contratos que não garantem a sua «estabilidade laboral».

«O movimento sindical afirma claramente que vai lutar pela defesa da soberania nacional, das empresas do Estado e do seu papel social, e da negociação colectiva», frisa a central sindical uruguaia.

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