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Pequeno passo para poucos homens, uma pegada gigante para a humanidade

Relatório de instituição intergovernamental traça um retrato negro sobre as consequências das alterações climáticas, mas a responsabilidade dos 1% mais ricos do planeta é convenientemente esquecida, acusa Oxfam.

Plantação de árvores nas áreas desertas da Região Autónoma Uigure de Xinjiang, China. Este projecto converteu 66 mil hectares de deserto em bosques, em linha com o esforço nacional que, desde 1978, mais do que duplicou a área ocupada por florestas ou bosques no País, atingindo quase 25% da área total 
Plantação de árvores nas áreas desertas da Região Autónoma Uigure de Xinjiang, China. Este projecto converteu 66 mil hectares de deserto em bosques, em linha com o esforço nacional que, desde 1978, mais do que duplicou a área ocupada por florestas ou bosques no País, atingindo quase 25% da área total CréditosZhang Guigui / China Daily

O relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, conhecido por IPCC na sigla em inglês, é categórico nas conclusões da sua investigação. O planeta vai mesmo aquecer pelo menos 1,5ºC, isto nas perspectivas mais positivas, até 2030, dez anos mais cedo do que o esperado.

O nível do mar parece também destinado a aumentar significativamente nas próximas décadas, 50cm até ao final do século. Neste caso, as piores expectativas apontam para uma subida de dois metros até 2200, o dobro da pior previsão feita em 2019. O enfraquecimento dos mais importantes absorvedores de gases de efeito de estufa, CO2 e Metano, contribui invariavelmente para o advento de novos cenários catastróficos para o clima no planeta.

Para a organização não governamental Oxfam, dedicada à erradicação da pobreza, o artigo é também explícito no contributo dos países mais ricos para o agravamento da situação climática: «A população correspondente ao 1% mais rico do mundo, aproximadamente 63 milhões de pessoas, é responsável por mais do dobro da poluição carbónica que os 3,1 mil milhões que compõem a metade mais pobre da humanidade».

Contudo, é esta pequena percentagem, com «dinheiro e poder, que vai poder comprar alguma protecção contra os efeitos do aquecimento global, ao contrário da população desprivilegiada». Mas o relatório do IPCC é claro – «não o conseguirão fazer para sempre».

A Oxfam exorta os países mais ricos a pagar a sua «dívida climática aos países em desenvolvimento, aumentando o financiamento destinado à adaptação aos efeitos das alterações climáticas e para a transição para energias limpas». 

Xie Zhenhua, enviado especial Chinês para as questões do clima, proferiu declarações semelhantes numa reunião sobre este assunto no início de Agosto. Os países mais ricos experienciaram um período de industrialização de mais de 200 anos, não se podendo esperar que os países em desenvolvimento atijam as metas para a descarbonização no mesmo período de tempo.

«Num tão curto espaço de tempo, a China enfrenta ainda muitas dificuldades e desafios para atingir a descarbonização», afirma Zhenhua, lembrando que, mesmo assim, o projecto do governo Chinês prevê atingir a neutralidade carbónica em 2060, 15 anos mais cedo do que as previsões dos Estados Unidos e 30 anos antes da União Europeia.

O comunicado da Oxfam exige que os países mais ricos «cumpram a sua promessa de entregar 100 mil milhões anuais para ajudar os países pobres a combater as alterações climáticas», denunciando ainda que, até agora, não só não o fizeram como sobre-inflacionaram as suas contribuições, que a organização estima terem sido três vezes menos do que anunciado.

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