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Desflorestação na Amazónia atinge nível máximo desde 2008

A devastação na Amazónia atingiu novos recordes, de acordo com os dados preliminares recolhidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e divulgados esta segunda-feira.

Organismos oficiais verificaram um aumento de 83,9% na devastação da floresta entre Janeiro e Novembro deste ano por comparação com o mesmo período de 2018
De acordo com o Inpe, entre Agosto de 2019 e Julho de 2020 foram devastados 11 088 quilómetros quadrados de área florestal na Amazónia Créditos / A Crítica

A área desflorestada alcançou o nível anual mais alto desde 2008 – um total de 11 088 quilómetros quadrados entre Agosto de 2019 e Julho de 2020. No período equivalente em 2008, o valor registado foi de 12 911 quilómetros quadrados.

Estes números são calculados pelo Inpe com base em imagens de satélite do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

A ser confirmado no início de 2021, o levantamento preliminar agora divulgado mostra também que a desflorestação registada entre Agosto de 2019 e Julho de 2020 é 9,5% superior à do período anterior equivalente – de Agosto de 2018 a Julho de 2019 –, quando foram desmatados 10 129 quilómetros quadrados.

Segundo o organismo federal dependente do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, no período anual concluído em Julho de 2020, quatro estados concentram quase 90% da área desflorestada da Amazónia: Pará, com 46,8%, seguido de Mato Grosso (15,9%), Amazonas (13,7%) e Rondónia (11,4%).

Críticas do Observatório do Clima às políticas do governo brasileiro

Para o Observatório do Clima, o actual cenário resulta de um conjunto de factores que envolvem o enfraquecimento da fiscalização, a desarticulação de órgãos ambientais e o corte do investimento na preservação.

«Omissão criminosa em não gastar o dinheiro que existe para a fiscalização e as políticas ambientais, difamação a quem produz conhecimento técnico e científico e uma tentativa improvisada de militarizar a floresta. Tudo isso foi visto nos últimos 22 meses», denuncia o organismo numa nota, citada pelo Brasil de Fato.

Os números cumprem «um projeto bem-sucedido de aniquilação da capacidade do Estado Brasileiro e dos órgãos de fiscalização de cuidar de nossas florestas e combater o crime na Amazônia», afirma o texto, acrescentando: «Desde sempre, quando o desmatamento sobe, a gente fica se perguntando o que deu errado nas tentativas de controle do crime ambiental. Desta vez, a gente sabe que a alta aconteceu porque deu tudo certo para o governo.»

«Esse projeto de destruição tão bem executado custará caro ao Brasil. […] Este governo funciona como uma máquina de produzir notícias vergonhosas para o país, especialmente na área ambiental. Bolsonaro é o maior sabotador da imagem do Brasil», sublinha.

Ao anunciar os dados, o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, que preside ao Conselho Nacional da Amazônia Legal, disse que «os esforços que estão sendo empreendidos começam a render frutos».

Em seu entender, como as expectativas para este ano eram maiores, o índice registado faz parte de um «início de uma tendência decrescente», informa o Brasil de Fato.

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