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Parlamento tomou posse na Venezuela: «triunfaram a democracia e a Constituição»

Os 277 deputados eleitos para o Parlamento venezuelano em Dezembro tomaram posse esta terça-feira, numa sessão em que o ex-ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, jurou como presidente do organismo.

Jorge Rodríguez jura como novo presidente da Assembleia Nacional venezuelana
Jorge Rodríguez jura como novo presidente da Assembleia Nacional venezuelana Créditos / @Mippcivzla

A maioria da Assembleia Nacional (AN) venezuelana, cujos deputados foram eleitos nas eleições celebradas em 6 de Dezembro para o período 2021-2026, elegeu ontem como presidente deste órgão Jorge Rodríguez, ex-ministro da Comunicação e deputado eleito pelo Grande Pólo Patriótico (GPP).

Depois de jurar como presidente, Rodríguez sublinhou a defesa do texto constitucional. «Qual é a razão suprema da nossa presença aqui? [...] Estamos aqui por mandato do livro do povo, porque uma democracia está assente num corpo de leis, porque não há democracia se não se respeitam as normas», disse Rodríguez após assumir o cargo, citado pela TeleSur.

Na sessão inaugural, que foi presidida pelo deputado Fernando Soto Rojas, por ser o mais velho, foram também eleitos os membros que irão integrar a junta directiva do Palácio Federal Legislativo, em Caracas, até 5 de Janeiro do próximo ano.

Diosdado Cabello, líder da bancada do GPP, propôs Iris Varela para primeira vice-presidente e Didalco Bolívar como segundo vice-presidente. Por seu lado, o deputado Pedro Carreño, também do GPP, propôs que as deputadas Rosalva Gil e Inti Hinojosa assumissem os cargos de secretária e subsecretária da AN, respectivamente.

Apesar de representantes da oposição terem usado da palavra para contestar as propostas avançadas, alegando que esperavam estar representados na mesa directiva do Poder Legislativo, não chegaram a propor candidatos alternativos, e a nova junta directiva foi eleita, de acordo com os termos da Constituição.

Na sessão inaugural, os deputados comprometeram-se a defender as instituições, a Constituição, as leis, a soberania e integridade territorial do país caribenho.

Antes, informa a TeleSur, participaram num acto simbólico na Praça Bolívar, onde foram evocadas palavras de alento à democracia e à liberdade que havia sido pronunciadas por Simón Bolívar. Dali, os deputados desfilaram até ao Palácio Legislativo levando as imagens de Bolívar e de Hugo Chávez, que haviam sido retiradas pela anterior presidência da AN.

Nas eleições legislativas de 6 de Dezembro, o GPP, que inclui o Partido Socialista Unido da Venezuela e forças aliadas, obteve 256 dos 277 assentos parlamentares.

Arreaza repudia tentativas de não reconhecer o Parlamento

O ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, rejeitou as manobras dos EUA e de vários países aliados para retirar legitimidade à nova AN eleita. Na sua conta de Twitter, o diplomata afirmou que, «numa das suas últimas funções, aparece o dono do circo. O agónico governo de Trump insiste na sua errática estratégia de mudança de governo pela força, derrotada pela realidade e pelo digno povo venezuelano».

O chefe da diplomacia venezuelana rejeitou igualmente os posicionamentos da Colômbia, do Brasil e do Uruguai, tendo afirmado que os governos destes países «não se cansam de cair no ridículo […] Julgam que são uma autoridade eleitoral, referem normas constitucionais inexistentes, ignoram o Direito Internacional».

Arreaza afirmou que, com a tomada de posse dos deputados, «acabou a operação golpista que usou o poder legislativo como plataforma», sublinhando que «triunfaram a democracia e a Constituição».

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