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EUA solicitaram apoio à intervenção nas eleições legislativas venezuelanas

A administração dos EUA fez circular uma nota diplomática a nível internacional, com um documento anexo, visando interferir nas eleições parlamentares que este ano se celebram na Venezuela.

Jorge Arreaza denunciou a estratégia intervencionista dos EUA relacionada com as eleições legislativas que este ano terão lugar na Venezuela
Jorge Arreaza denunciou a estratégia intervencionista dos EUA relacionada com as eleições legislativas que este ano terão lugar na Venezuela Créditos / VTV

Na conferência de imprensa que ontem deu na Casa Amarela (sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Caracas), o titular da pasta, Jorge Arreaza, denunciou a nova estratégia de ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos venezuelanos.

Nota diplomática que os EUA fizeram circular a nível internacional Créditos

Referiu-se, concretamente, a uma nota diplomática – com um documento anexo – que os EUA fizeram circular no passado dia 17 de Dezembro a nível internacional, tendo como propósito encontrar apoio para a interferência nas eleições parlamentares que este ano terão lugar no país sul-americano.

De acordo com o texto apresentado pelo chefe da diplomacia venezuelana, os Estados Unidos consideram necessário encontrar um governo de transição na Venezuela, apoiar a Assembleia Nacional e pressionar política e economicamente a presidência de Nicolás Maduro, a cujo governo se referem como «o anterior regime».

O documento, intitulado «O governo dos Estados Unidos pede apoio para um comunicado eleitoral sobre eleições livres e justas para a Assembleia Nacional da Venezuela em 2020», terá sido enviado para que os responsáveis dos países receptores o analisassem e firmassem antes da data desejada de publicação – 5 de Janeiro, dia em que era elegida a nova mesa da presidência do Parlamento venezuelano.

«O governo dos Estados Unidos pede apoio para um comunicado eleitoral sobre eleições livres e justas para a Assembleia Nacional da Venezuela em 2020» Créditos

«O documento visa intervir nos processos administrativos, políticos, soberanos do nosso país com vista às eleições da Assembleia Nacional do ano em curso», sublinhou o diplomata, tendo acrescentado, com base no texto, que a administração norte-americana pretende prosseguir com a política de pressão diplomática e económica sobre a Venezuela, numa tentativa de forçar uma mudança de governo no país.

O texto põe em evidência «as estratégias intervencionistas da administração dos EUA contra a soberania do povo, a vontade popular e democrática dos venezuelanos», destacou Arreaza, que denunciou: «Eles falam de um governo de transição, isto é, insistem na mudança de governo pela força, como o fizeram na Bolívia, para convocar eleições sob os seus critérios, os seus padrões, o seu controlo, e isso na Venezuela jamais acontecerá, porque somos soberanos na tomada de decisões no país.»

O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou, igualmente, que este ano haverá eleições legislativas na Venezuela, em conformidade com a legislação venezuelana, de acordo com a Constituição do país. «Oxalá participem todas as forças políticas», disse.

Violação da Carta das Nações Unidas e crimes contra a Humanidade

Sublinhando que estes comunicados violam a Carta das Nações Unidas, Arreaza frisou que o documento deixa em evidência que os EUA impõem sanções e um bloqueio à Venezuela em detrimento do povo, quando destinam milhões de dólares à oposição para desestabilizar o país e, dessa forma, o governo de Maduro.

O diplomata afirmou que «estas medidas unilaterais são crimes contra a humanidade» e que o seu país está a trabalhar com Cuba, Nicarágua e outros mais «para denunciar estes abusos».

No documento, os EUA passam a noção de que foi graças às sanções que o governo de Nicolás Maduro se sentou à mesa com a oposição em vários processos de diálogo, tentando fazer passar a ideia de que as pressões geram benefícios.

Arreaza, que reafirmou o compromisso do executivo em que se integra para promover o diálogo com a oposição de direita interessada na paz e empenhada na denúncia do intervencionismo, sublinhou o desporopósito de tais alegações, tendo lembrado que foi Nicolás Maduro quem «fez o apelo ao diálogo».

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