Com o lema «Alto á agresión ianque contra Venezuela, Pola paz e soberanía dos pobos», a iniciativa divulgada pela AGABO visa condenar a agressão dos EUA ao país caribenho e repudiar o sequestro do presidente legítimo da Venezuela, Nicolás Maduro, e da sua esposa, Cilia Flores.
A manifestação, que parte da Alameda de Santiago ao meio-dia, pretende igualmente ser expressão de «solidariedade com o povo venezuelano» e «defender o direito à soberania dos povos».
Em comunicado, as organizações promotoras denunciam que aquilo que aconteceu «constitui uma violação grave do Direito Internacional e do sistema multilateral».
Neste sentido, consideram que a agressão perpetrada no passado dia 3 «viola a Carta das Nações Unidas e o seu princípio de proibição do uso da força contra a integridade territorial de um Estado», assim como «o direito à soberania nacional da Venezuela».
Além disso, criticam, a intervenção «carece de autorização do Conselho de Segurança da ONU, pelo que é ilegal», estabelecendo ainda «um precedente perigoso que ameaça a segurança mundial e regional».
Neste contexto, as organizações promotoras instam o movimento político, sindical, associativo e social da Galiza a mobilizar-se de forma massiva no próximo sábado em Compostela.
«A Galiza é um país solidário e internacionalista, afirmamos com veemência: não à guerra, não à ingerência, sim à soberania dos povos e à paz. Galiza com a Venezuela», declaram.
Entre as organizações promotoras contam-se a Asamblea Republicana Galega, a Asociación Galego Cubana Francisco Villamil, o Bloque Nacionalista Galego (BNG), a Central Unitaria de Traballadoras (CUT), a Confederação Intersindical Galega (CIG), o Encontro Galego contra a OTAN ou a Fundación Moncho Reboiras.
Também Galiza Nova, Mar de Lumes, Movemento Arredista, Partido Comunista da República Galega (PCRG), Partido Comunista do Pobo Galego, Partido Comunista dos Pobos de España-Comunistas da Galiza, a Plataforma Antifascista e Republicana, Podemos Galiza ou a União do Povo Galego (UPG).
Cartel de los Soles: «não existe tal coisa»
No meio da enxurrada de notícias e publicações nas redes sociais alusivas à Venezuela, ao ataque de dia 3 e ao rapto de Maduro e Cilia por forças norte-americanas, assumiu destaque a notícia vinda a público, num jornal nova-iorquino, de que o Departamento da Justiça dos EUA «retira a afirmação de que o Cartel de los Soles da Venezuela é um grupo real».
Isto depois de a administração liderada por Trump, o ano passado, ter designado essa «organização» como terrorista e acusado Nicolás Maduro de a liderar.
As «invenções» desta e de outras administrações norte-americanas para se apoderarem dos recursos de outros países, os invadirem e se imiscuírem nas políticas internas de cada qual têm sido denunciadas profusamente – e não só nos últimos dias.
De acordo com especialistas em delinquência e estupefacientes, o Cartel de los Soles era uma «expressão coloquial», inventada nos anos 1990 para se referir a funcionários corruptos venezuelanos que recebiam dinheiro do narcotráfico.
Ou seja, o «cartel» não existe, tal como referiu à CNN Phil Gunson, um analista do International Crisis Group, citado por Max Blumenthal em The Grayzone. «É uma expressão jornalística criada para se referir ao envolvimento das autoridades venezuelanas no tráfico de droga.»
Em Novembro último, numa entrevista à Prensa Latina, Sanho Tree, investigador do Instituto for Policy Studies (IPS), com sede em Washington, foi taxativo: «Não existe tal coisa como o "Cartel de los Soles". Não é uma organização real. É uma expressão coloquial que remonta à década de 1990 e se refere antes a redes de corrupção que facilitam actividades ilícitas.»
Sobre a concentração de forças militares dos EUA nas Caraíbas e o assassinato de pessoas em águas internacionais, Tree sublinhou que «pouco tinha a ver com a política antidrogas» e que o «narco-terrorismo» não existe, sendo antes «uma construção aterradora concebida para desumanizar as pessoas que Trump quer exterminar».
Sobre a «obsessão» com o petróleo da Venezuela, o especialista norte-americano lançou ainda uma advertência: «Uma tentativa de assumir o controlo do petróleo venezuelano poderia correr muito mal.»
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