Na capital do país, Washington, D.C., os manifestantes juntaram-se frente à Casa Branca, onde gritaram palavras de ordem como «Não à guerra contra a Venezuela» e mostraram cartazes com mensagens de apoio ao país caribenho, a condenar a «acção criminosa» da administração norte-americana e a denunciar a «guerra pelo petróleo» venezuelano.
Também houve acções de protesto em cidades como Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles, Anchorage, Charlotte, Eugene, San Diego, Pittsburgh, Phoenix, Savannah e San Marcos (Texas).
As ruas de Nova Iorque, indica a TeleSur, voltaram a testemunhar uma grande manifestação de apoio à Venezuela, numa altura em que o país sul-americano é alvo do intervencionismo agressivo promovido pela actual administração na Casa Branca.
No entender da organização anti-imperialista The People’s Forum, isto confirma que «o povo norte-americano se opõe à guerra criminosa contra a Venezuela e defende a paz, a justiça e a soberania do povo venezuelano».
As mobilizações deste sábado nos EUA foram convocadas pela Answer Coalition pouco depois de várias localidades venezuelanas terem sido bombardeadas por forças militares dos EUA.
Nem narcotráfico, nem democracia: roubo do petróleo
«Esta guerra não tem a ver com tráfico de droga, não tem a ver com democracia – tem a ver com roubar o petróleo à Venezuela e dominar a América Latina», alertou no seu portal a organização anti-imperialista e de defesa da paz.
«Trata-se de uma escalada ultrajante numa campanha de assassinatos em águas internacionais e de pirataria contra navios civis que comercializam com a Venezuela», afirmou, sublinhando que «o povo deste país não quer outra guerra».
Na sua nota, a Answer Coalition destacou que a guerra dos EUA só traria «morte e destruição ao povo venezuelano» e que, a acontecer, «serão os jovens da classe trabalhadora que serão enviados para matar e morrer, não os filhos dos executivos da ExxonMobil e da Lockheed Martin».
«A máquina de guerra consome uma quantidade inimaginável do dinheiro dos nossos impostos, enquanto as famílias trabalhadoras lutam para sobreviver», afirmou ainda a coligação, antes de pedir ao povo norte-americano que fosse para as ruas «dizer "não" à guerra de Trump».
Solidariedade pelo mundo fora
As mostras de apoio e solidariedade com a Venezuela, na sequência dos bombardeamentos norte-americanos a Caracas e outras cidades, e do rapto de Nicolás Maduro levado a cabo por forças dos EUA, fizeram-se sentir pelo mundo fora logo no sábado, com especial incidência na América Latina.
São disso testemunho as mobilizações em países como México, Colômbia, Cuba, Uruguai, El Salvador, Chile, Peru, Equador, Bolívia, Porto Rico, Panamá ou Argentina, além das que tiveram lugar no Estado espanhol, Itália, França ou Noruega.
Supremo Tribunal de Justiça ordena a Delcy Rodríguez que assuma a presidência
A Sala Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Venezuela determinou, este sábado, que a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, «assuma e exerça, a título interino», todos os poderes, deveres e faculdades inerentes ao cargo de Presidente da República Bolivariana da Venezuela, de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação.
Uma declaração lida pela titular do órgão, Tania D’Amelio, explicou os procedimentos adoptados face à ausência forçada do Presidente da República, «em virtude da situação excepcional criada pelo rapto de Nicolás Maduro Moros».
Sublinhando que esta situação constitui «um caso de impossibilidade material e temporária para o exercício das suas funções», o tribunal determinou que a vice-presidente assumisse a chefia do Estado, de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação.
O STJ fundamentou a sua competência e procedeu à interpretação das disposições constitucionais aplicáveis, de forma a «esclarecer e dissipar qualquer incerteza jurídica», com o objectivo de estabelecer um roteiro para a preservação da ordem constitucional neste momento crucial para o país, afirmou.
Além disso, determinou que, no actual estado de «urgência manifesta e ameaça certa, é imperativo, necessário e proporcional» ordenar o exercício imediato desta função como medida de precaução, «de modo a facilitar a preservação dos interesses da nação contra a agressão estrangeira que atualmente enfrenta».
Neste sentido, decretou que a vice-presidente, o Conselho de Defesa Nacional, o Alto Comando Militar e a Assembleia Nacional fossem notificados de imediato, com vista ao pronto cumprimento da decisão.
Forças Armadas denunciam «cobarde sequestro»
Numa declaração divulgada este domingo, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) denuncia o «cobarde sequestro» de Nicolás Maduro, Presidente Constitucional da República Bolivariana da Venezuela, e sua esposa, perpetrado no sábado por forças militares norte-americanas, «depois de assassinarem a sangue-frio grande parte da sua equipa de segurança, soldados e cidadãos inocentes».
O texto, que foi lido na TV pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declara ainda o apoio da FANB à decisão do STJ de designar Delcy Rodríguez presidente interina, bem como a um Decreto de Estado de Comoção Externa em todo o território nacional.
Neste sentido, afirma o texto, «o governo bolivariano garantirá a governabilidade do país e a nossa instituição continuará a empregar todas as suas capacidades disponíveis para a defesa militar, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz».
Antes da leitura do documento – refere a TeleSur –, Padrino López pediu ao povo venezuelano que «retomasse as suas actividades económicas, laborais, educativas nos próximos dias», tendo afirmado que «a nação deve regressar ao seu caminho constitucional».
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