Convocada pela Asociación Galego-Bolivariana Hugo Chávez (AGABO) e mais duas dezenas de organizações políticas, sociais e sindicais, sob o lema «Non ás agresións ianquis a Venezuela, pola paz e a soberanía dos pobos», a manifestação percorreu, este sábado, as principais ruas de Santiago de Compostela, com o intuito de «transmitir uma mensagem de solidariedade e de apoio ao povo venezuelano que resiste aos ataques do imperialismo norte-americano».
A mobilização, que contou com a participação do cônsul da Venezuela na Galiza, Martín Pacheco, visou denunciar «que o que está a acontecer no país caribenho constitui uma violação grave do Direito Internacional e do sistema multilateral», indica a AGABO numa nota.
Além disso – sublinha –, «viola a Carta das Nações Unidas e o seu princípio de proibição do uso da força contra a integridade territorial de um Estado».
«A intervenção dos EUA na Venezuela é um ataque contra o seu direito à soberania nacional e trata-se de uma manobra "ilegal", já que carece de autorização do Conselho de Segurança da ONU», lê-se no texto relativo à manifestação.
Este ataque não é um incidente isolado
No final da marcha, foi lido um manifesto, no qual se destaca a brutalidade dos ataques norte-americanos de 3 de Janeiro à Venezuela, que provocaram a morte de mais de cem pessoas.
«Este ataque não é um incidente isolado, mas sim o culminar de décadas de ingerência dos EUA nos assuntos internos da Venezuela, especialmente desde que o Comandante Chávez chegou ao poder e promulgou a Lei dos Hidrocarbonetos, destinando as receitas do petróleo ao bem-estar do povo venezuelano», declara o manifesto.
Sublinhando que a agressão perpetrada «incumpre múltiplas normas do direito internacional», o texto afirma ainda a «falsidade» e o «cinismo» da argumentação usada para a justificar, referindo-se, nomeadamente, ao facto de os EUA invocarem a luta contra o narcotráfico ao mesmo tempo que indultavam Juan Orlando Hernández, ex-presidente das Honduras, condenado pelos tribunais norte-americanos a 45 anos por narcotráfico.
«Mas, caso alguém ainda tivesse dúvidas sobre as intenções do Império, mesmo antes da chegada do Presidente Maduro como prisioneiro de guerra a Nova Iorque, Donald Trump declarou claramente, pela segunda vez em poucas semanas, que o que pretendia da Venezuela era petróleo gratuito e a apropriação dos restantes recursos naturais, retomando ostensivamente a Doutrina Monroe para transformar a Venezuela numa colónia do império americano», denuncia o manifesto lido em Compostela.
Firmeza na denúncia e solidariedade
Neste sentido, os promotores da mobilização defenderam que é hora de denunciar com firmeza as práticas imperialistas e de afirmar a solidariedade com o povo venezuelano e os outros povos latino-americanos, como o de Cuba, que há décadas sofre o bloqueio imposto pelos EUA, e os da Colômbia e do México, ameaçados por Washington.
Vincaram igualmente a importância da solidariedade com os povos do Médio Oriente e de África, alvo de constantes agressões imperialistas, e em especial com o povo palestiniano, que «sofre um genocídio por parte do governo sionista de Israel apoiado por Donald Trump e Marco Rubio».
«Não nos podemos resignar a aceitar que os povos sejam vítimas dos caprichos e desejos do novo imperialismo», afirmaram os promotores da mobilização na Praça de Praterías, lembrando que, «no século passado, este tipo de "aventuras" terminou em guerras sangrentas».
Neste sentido, os manifestantes exigiram o respeito pela soberania dos povos, a libertação imediata de Nicolás Maduro e Cilia Flores, o fim imediato da agressão militar imperialista à Venezuela e o respeito pela sua integridade territorial.
Reclamaram igualmente que o mundo «actue com firmeza e sem hesitações» e, exigindo o fim das ingerências externas nos assuntos internos que qualquer país, declararam o seu apoio à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que «com dor assumiu esta missão, no quadro da Constituição venezuelana».
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