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Mulheres dizem «não» às privatizações da direita em Minas Gerais

Com o lema «Mulheres em luta pelos bens comuns e contra as privatizações», as manifestações do Dia Internacional da Mulher em Minas Gerais denunciam as políticas do governo de Zema.

Em Minas Gerais, as mobilizações do 8 de Março têm como lema «Mulheres em luta pelos bens comuns e contra as privatizações» 
CréditosFernanda Abdo e Carina Castro / Brasil de Fato

As privatizações de empresas públicas e o desmantelamento das políticas sociais por parte do executivo de Romeu Zema (Novo) são algumas das medidas criticadas pelas organizações que se mobilizam no contexto deste 8 de Março no estado do Sudeste brasileiro.

Na capital, Belo Horizonte, as mobilizações têm início previsto para as 15h, com uma intervenção na Praça da Liberdade, em frente ao Palácio da Liberdade. Pelas 17h, o protesto concentra-se na Praça Raul Soares, de onde sairá em desfile, dialogando com a população, até à Praça 7.

«O 8 de Março é um dia de luta para todas nós. Nosso principal inimigo é Romeu Zema, que é um governador contra as mulheres e contra nossos direitos. Nós estamos organizadas para derrotar esse projeto», declarou Sabrina Moreira, vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG).

«Principal inimigo das mulheres»

As propostas de privatização das empresas públicas e o desmantelamento de políticas sociais no estado são algumas das medidas do actual governo que as mulheres denunciam, considerando que são «as principais prejudicadas».

Larissa Assunção, advogada e militante do Movimento Brasil Popular, dá como exemplo a tentativa de vender a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Em seu entender, a política do governo de direita é arquitectada para entregar as «nossas riquezas» e «prejudicar a vida das mulheres». «Somos nós as responsáveis pelas tarefas de cuidado e reprodução da vida, e sem água e sem luz, por exemplo, nossa vida piora ainda mais», sublinhou em declarações ao Brasil de Fato.

Elevado índice de violência contra as mulheres

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em Julho do ano passado, Minas Gerais possuía, em 2022, o segundo maior índice de casos de assassinatos de mulheres no país sul-americano. Só naquele ano, 171 mulheres foram mortas «por serem mulheres».

O mesmo levantamento indicou que o estado era o terceiro com maior número de pedidos de socorro por violência doméstica, com um registo de quase 32 mil chamadas.

Por seu lado, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que, apenas no primeiro semestre de 2023, quase 74 mil mulheres foram vítimas de violência em Minas Gerais. Para Bernadete Esperança, da Marcha Mundial das Mulheres, ao invés de enfrentar este cenário, o governo de Zema piora ainda mais a condição das mulheres mineiras.

«Nos últimos anos, sob o governo Zema, a situação tem piorado. Houve a precarização dos serviços de atendimento às mulheres e, ao mesmo tempo, o governo Zema ecoa nas suas políticas e práticas o discurso da violência como estratégia para cercear as mulheres», disse.

Em 2020, o governador afirmou publicamente que a opressão contra as mulheres poderia ser designada como «instinto natural do ser humano». No ano seguinte, disse que, «para a mulher que se separa, fica sendo uma obsessão da vida dela destruir o ex-cônjuge».

Bernadete Esperança acusa o actual governo de não só «não investir e não avançar no combate à violência», mas de «fazer com que a violência seja naturalizada», com um «discurso xenófobo, racista e patriarcal».

Plebiscito popular em defesa das empresas estatais e dos trabalhadores

Depois do 8 de Março, as mulheres mineiras vão continuar empenhadas na campanha de denúncia das políticas que prejudicam as mulheres e a população mineira em geral.

Membro do comité «Fora Zema», que reúne organizações populares e sindicais de oposição ao governador, Luciléia Miranda explicou ao Brasil de Fato que, até Maio deste ano, o foco será a construção do Plebiscito Popular em Defesa das Estatais de Minas Gerais.

«A gente acredita que essa vai ser uma luta prolongada, porque esse governo tem muita proximidade com as ideias neoliberais e ataca a classe trabalhadora em diversas frentes, o tempo todo. Nós estamos inseridas na construção do plebiscito popular por entender que essa é uma das principais pautas das mulheres, atualmente», afirmou.

O plebiscito popular vai ouvir a opinião da população mineira, entre 19 de Abril e 1 de Maio deste ano, sobre a venda da Cemig, da Copasa, da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), que fazem parte dos planos de privatização do actual governo.

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