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MPPM insta o Benfica a terminar a ligação ao futebol israelita

O movimento solidário português refere que, no mundo do futebol, se repetem as expressões de solidariedade com o povo palestiniano e lamenta que o Benfica «opte por fazer uma parceria com o opressor, Israel».

O apartheid israelita plasmado no muro (Margem Ocidental ocupada)
O apartheid israelita plasmado no muro (Margem Ocidental ocupada) Créditos / english.palinfo.com

Na sua página oficial, o Sport Lisboa e Benfica anunciou este mês que estabeleceu uma parceria com a Academia Israelita de Excelência no Futebol (AFEX). A ligação, «inserida no projecto de expansão internacional» do clube, «visa a realização de Campos de Futebol, em Telavive, entre 25 e 29 de Julho próximo».

«Treinadores do Sport Lisboa e Benfica vão trabalhar em conjunto com treinadores israelitas, garantindo o acompanhamento metodológico de todas as actividades e assegurando que todos os participantes vão poder ter a experiência única de fazer parte de um projecto que é referência mundial no desenvolvimento de jovens jogadores de futebol», explica o clube.

A este propósito, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) sublinha que «nenhuma ligação ao futebol de Israel pode ignorar o comprometimento das suas estruturas com a política de colonização, apartheid e limpeza étnica praticada pelo Estado de Israel sobre a população palestiniana dos territórios ocupados».

Lembra igualmente que nenhuma ligação ao futebol de Israel pode obviar a situação dos atletas palestinianos, designadamente aqueles que integram a selecção de futebol da Palestina, que são «sistematicamente impedidos por Israel de treinar e participar em competições, tanto em casa como no estrangeiro».

O MPPM afirma ainda que nenhuma ligação ao futebol de Israel pode ignorar que o «Exército israelita impede o normal decurso das competições oficiais, reconhecidas pela FIFA, nos territórios palestinianos ocupados em 1967», da mesma forma que «ataca, prende e assassina atletas palestinianos, e destrói estádios e infra-estruturas desportivas».

O clube português deve abster-se de cooperar com quem promove o apartheid israelita

Na nota de imprensa que ontem emitiu, o MPPM recorda que a Adidas, um dos principais patrocinadores do futebol do Benfica, foi também patrocinador da Associação de Futebol de Israel (IFA), tendo posto fim a esse patrocínio em 2018, na sequência de uma campanha iniciada por mais de 130 clubes palestinianos, com amplo apoio internacional.

Com a campanha, os promotores denunciavam a ligação da IFA à política de ocupação e colonização de Israel, por incluir seis clubes sedeados em colonatos ilegalmente construídos em territórios palestinianos ocupados.

Neste sentido, o MPPM insta o Sport Lisboa e Benfica a abster-se de cooperar com as estruturas de futebol do Estado de Israel e a denunciar a parceria com a AFEX, cancelando os Campos de Futebol programados para o final de Julho.

O movimento solidário lembra ao clube português que, nos seus estatutos, interdita a diferenciação «em razão da raça, género, sexo, ascendência, língua, nacionalidade ou território de origem, condição económica e social e convicções políticas, ideológicas e religiosas», pelo que, defende, «tem o direito e dever de exigir igual comportamento aos seus parceiros».

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