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Mais de 500 palestinianos assassinados na Cisjordânia ocupada desde Outubro

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou esta terça-feira o «derramamento de sangue sem precedentes» na Margem Ocidental e pediu que os responsáveis prestem contas.

Crianças caminham em ruas parcialmente destruídas em Jenin, no Norte da Cisjordânia ocupada CréditosAlaa Badarneh / Unicef

Em comunicado, o funcionário das Nações Unidas renovou o apelo para acabar com o forte incremento de violência na Cisjordânia ocupada desde 7 de Outubro, onde mais de 500 palestinianos foram mortos por militares e colonos israelitas.

Aludindo ao massacre contínuo dos palestinianos na Faixa de Gaza nos últimos oito meses, Volker Türk lamentou que o povo da Cisjordânia ocupada também seja submetido «dia após dia a um derramamento de sangue sem precedentes».

«É incompreensível que tantas vidas tenham sido ceifadas de forma tão desenfreada», afirmou, sublinhando que «as matanças, a destruição e as violações generalizadas dos direitos humanos são inaceitáveis e devem cessar de imediato».

Impunidade generalizada dura há demasiado tempo

«Israel deve adoptar e fazer cumprir regras de confronto que estejam plenamente de acordo com as normas e padrões de direitos humanos aplicáveis», disse Türk, defendendo que «qualquer denúncia de homicídio ilegal deve ser investigada de forma exaustiva e independente» e que «os responsáveis devem prestar contas».

Para o alto comissário, «a impunidade generalizada por esses crimes foi habitual durante demasiado tempo na Cisjordânia ocupada».

«Essa impunidade gerou um ambiente propício para que as forças israelitas cometam cada vez mais assassinatos ilegítimos», denunciou, citado pela TeleSur. «Deve-se respeitar e fazer cumprir o direito internacional, e deve-se garantir a responsabilização», afirmou.

De acordo com o gabinete do alto comissário, as forças militares israelitas mataram quase 200 palestinianos na Margem Ocidental ocupada desde o início deste ano, por comparação com 113 e 50 nesses mesmos períodos em 2023 e 2022, respectivamente.

Violações constantes do direito internacional humanitário pelas forças de ocupação

«A verificação das mortes e o acompanhamento em profundidade de mais de 80% dos casos pelo Gabinete dos Direitos Humanos da ONU indicam violações constantes do direito internacional humanitário no que respeita ao recurso à força por parte das forças israelitas, por via do uso desnecessário e desproporcionado de força letal e do aumento dos assassinatos selectivos aparentemente planeados», disse Türk.

«Também mostram a recusa ou o atraso sistemático da assistência médica os feridos críticos», refere o texto do alto comissário, de acordo com o qual «a violência das forças e dos colonos israelitas, tendo como pano de fundo a escala de matança e destruição que continua em Gaza, incutiu medo e insegurança aos palestinianos da Margem Ocidental ocupada».

Intensos bombardeamentos na Faixa de Gaza

Pelo menos 66 pessoas perderam a vida na região central de Gaza nas últimas 24 horas, refere a Al Jazeera, que dá conta de fortes ataques israelitas contra o campo de refugiados de al-Bureij.

A Wafa afirma que dezenas de pessoas foram mortas ou ficaram feridas na sequência de bombardeamentos israelitas ontem à noite e esta madrugada, referindo-se igualmente à intensidade dos ataques sobre os campos de refugiados de al-Bureij e al-Maghazi, em Deir al-Balah.

A agência oficial palestiniana dá conta também de ataques a diversos bairros da Cidade de Gaza, bem como a Rafah e à região de Khan Younis, a sul.

De acordo com registos oficiais, o número de vítimas mortais palestinianas na Faixa de Gaza desde 7 de Outubro subiu ontem para 36 550 e o de feridos para 82 959.

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