No Palácio de Miraflores, Delcy Rodríguez, presidente interina da República Bolivariana da Venezuela, dirigiu-se ao presidente norte-americano, Donald Trump, para afirmar que «os nossos povos e a região merecem a paz e o diálogo, não a guerra».
«Essa foi sempre a posição do presidente Nicolás Maduro e é a posição de toda a Venezuela neste momento», disse, citada pela TeleSur.
Rodríguez considerou «prioritário avançar para um relacionamento internacional equilibrado e respeitoso entre os EUA e a Venezuela», «assente na igualdade soberana e na não ingerência».
«A Venezuela tem direito à paz, ao desenvolvimento, à sua soberania e ao futuro», acrescentou.
Comissão para a libertação do presidente Maduro e esposa
Durante a celebração do Conselho de Ministros, no domingo à tarde, o ministro da Informação, Freddy Ñáñez, anunciou a criação de uma comissão de alto nível destinada a coordenar acções políticas, jurídicas e diplomáticas com vista à libertação do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores.
Ñáñez referiu que a comissão, criada por iniciativa da presidente interina, será integrada por representantes de várias instituições do Estado, para assim articular uma resposta unificada à agressão externa e directa contra a soberania nacional.
Fontes oficiais explicaram que a comissão terá como prioridade a activação de mecanismos do direito internacional, o estabelecimento de contactos com governos aliados e com organismos multilaterais.
Além disso, indica a agência Prensa Latina, a nova entidade irá promover uma estratégia de comunicação que dê visibilidade ao caso em fóruns regionais e mundiais, nomeadamente as Nações Unidas e a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).
Na mesma ocasião, foi também anunciada a criação de uma comissão agroalimentar, industrial e comunal, que terá como objectivo e responsabilidade garantir e reforçar os projectos de soberania alimentar e de abastecimento do país.
Metas alcançadas e projectos realizados em 2025
O Conselho de Ministros celebrado em Caracas na ausência forçada do presidente Nicolás Maduro e dirigido pela presidente interina, Delcy Rodríguez, serviu igualmente para fazer um balanço de 2025, com Ñáñez a destacar as metas alcançadas e os projectos realizados.
«Na Venezuela, estamos a fortalecer a democracia, nada mais, nada menos do que com o sistema moderno que governa as sociedades actuais, mas que também está a ser feito numa perspectiva radical, ou seja, dando o poder de decisão e de acção directamente ao povo, sem intermediários», declarou o ministro da Informação, citado pela TeleSur.
A nível económico, Ñáñez destacou o facto de a Comissão Económica para a América Latina e as Caraíbas (Cepal) projectar a Venezuela como o país de mais elevado crescimento da região, com 6%, mas apontado que o governo venezuelano encara essa previsão como conservadora.
Sublinhou igualmente, como um dos aspectos mais importantes para a economia venezuelana, o facto de as exportações não petrolíferas terem crescido cerca de 66%, números que, em seu entender, mostram que é possível e necessário que o país sul-americano avance para uma economia não rentista, pós-petrolífera e produtiva.
Pontos-chave para 2026
Na apresentação do balanço feito pelo Conselho de Ministros, Freddy Ñáñez disse ainda que foram abordados pontos-chave para o ano em curso, tendo adiantado três aspectos.
Um deles é relativo ao reforço do modelo de democracia comunal e de bairro, para dar «amplitude e expansão aos projectos comunais».
Outro é referente à protecção social, à «restauração acelerada e decisiva do Estado de bem-estar social bolivariano, criado durante a revolução e que se manteve mesmo com as sanções e o bloqueio económico», indica a TeleSur.
O ministro, que se referiu também à produtividade – frisando que se trata de um apelo geral a todos os venezuelanos –, disse que o país vive em paz absoluta e está sob a plena protecção das instituições governamentais mobilizadas para garantir a segurança.
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