Os promotores da declaração pública, intitulada «Em defesa da soberania da República Bolivariana da Venezuela, do Direito Internacional e da paz regional», apelam a todos os deputados da região e do mundo para que a subscrevam.
No texto, sublinham a condenação enfática dos bombardeamentos perpetrados contra território venezuelano, com consequências nefastas para a população civil, bem como o sequestro do chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua esposa, Cilia Flores.
«O ataque a território venezuelano constitui uma violação dos mecanismos internacionais, que devem ser vinculativos para todos os estados, sem excepção […]. Consequentemente, exigimos que o governo dos Estados Unidos da América cesse imediatamente todas as acções armadas contra a Venezuela, respeite integralmente a soberania do território venezuelano e liberte o chefe de Estado, Nicolás Maduro, e a sua esposa, Cilia Flores», lê-se no documento.
Em simultâneo, a declaração faz um apelo urgente aos governos do mundo, aos organismos multilaterais e aos povos da América Latina, das Caraíbas e do mundo para que se pronunciem «com firmeza para activar os mecanismos diplomáticos e jurídicos internacionais, e para defender o Direito Internacional como única via para preservar a paz».
Gloria Inés Flórez Schneider, senadora do partido Colombia Humana e primeira signatária da declaração, destacou na sua conta de Twitter (X) que aquilo que está em causa não é apenas uma ameaça à Venezuela, mas a estabilidade e a soberania da região, que foi declarada zona de paz em 2014 pela Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).
Também sublinhou o facto de, em pouco mais de 24 horas, 634 deputados terem subscrito a declaração que deixa claro o apoio à posição dos executivos de Colômbia, Chile, Brasil, México e Cuba na rejeição enfática à agressão à soberania da Venezuela e da América Latina.
«Rejeitar de forma inequívoca e clara esta intervenção»
Por seu lado, a deputada argentina Adriana Serquis afirmou ter aderido à iniciativa lançada por parlamentares colombianos, que exige o respeito pelos direitos soberanos da Venezuela e denuncia «o ultraje que significa a detenção do seu presidente e da sua esposa».
Em declarações recolhidas pela Prensa Latina, a deputada argentina disse ainda que «se está a juntar a deputados da América Latina em apoio à posição de México, Brasil, Colômbia para pedir às Nações Unidas que intervenham na matéria».
Hugo Yaski, deputado e dirigente sindical argentino, também subscreveu a declaração que – disse – reclama à ONU que ponha em marcha mecanismos para evitar que este ataque contra a Venezuela prospere de acordo com as ameaças de Donald Trump a outros países.
«Cuba, México, Colômbia, Nicarágua fazem parte de uma lista ainda mais extensa de países que foram mencionados como eventuais alvos de novos ataques», advertiu Yaski, frisando que é por isso que «instamos os parlamentos de toda a América Latina a emitirem declarações rejeitando de forma inequívoca e clara esta intervenção».
«Os países latino-americanos estão unidos por profundos laços históricos, culturais e políticos, forjados nos ideais de liberdade, independência e dignidade dos nossos povos», afirma o texto, esperando que «o legado dos libertadores que conceberam o espírito da Grande Colômbia e a integração latino-americana prevaleçam sobre a lógica da guerra, o colonialismo e a imposição pela força».
Cuba refuta acusações dos EUA no Conselho de Segurança
Na sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU dedicada à Venezuela, celebrada esta segunda-feira, o representante permanente de Cuba junto das Nações Unidas, Ernesto Soberón, disse que a sua delegação se viu obrigada a fazer uso da palavra uma segunda vez para assim responder a «acusações infundadas» dos Estados Unidos.
«É escandaloso que aqueles que perpetraram agressões unilaterais e violações sistemáticas do Direito Internacional procurem agir como juízes de outros estados soberanos, o que é uma atitude absolutamente imoral, desrespeitosa e irresponsável», disse Soberón, citado pela Prensa Latina.
«Rejeitamos categoricamente as alegações caluniosas de que Cuba mantém uma presença de inteligência na Venezuela. Tais acusações carecem de qualquer fundamento factual e constituem uma clara tentativa de desviar a atenção da conduta agressiva e criminosa dos Estados Unidos na região», acrescentou o diplomata.
A este propósito, Soberón sublinhou que Cuba respeita estritamente a «soberania, independência e o direito inalienável do povo venezuelano a decidir o seu próprio futuro», e recordou que a cooperação entre ambos os países em múltiplas áreas, incluindo a militar, tem bases legítimas, sustentando-se em acordos bilaterais subscritos de forma soberana por ambas as partes.
Na senda da declaração emitida pelo governo de Cuba, o diplomata reafirmou que os 32 combatentes que caíram em solo venezuelano, vítimas de um acto criminoso de agressão e terrorismo de Estado perpetrado pelos Estados Unidos, cumpriam missões em representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior de Cuba, solicitadas por órgãos homólogos da Venezuela.
«Estes patriotas, através dos seus actos heróicos, personificaram a solidariedade de milhões de cubanos», disse Soberón ao sublinhar que a delegação dos EUA estava «a tentar, de forma desrespeitosa, rotular Cuba como intervencionista na Venezuela», algo que rejeitou «categoricamente».
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