O director da Comissão de Resistência ao Muro e à Colonização, Muayyad Shaaban, precisou que 1382 ataques da ocupação visaram terras e zonas agrícolas, 5398 tiveram como alvo propriedades e 16 664 foram contra indivíduos.
Em conferência de imprensa, Shaaban destacou que as tropas israelitas foram responsáveis por 18 384 ataques e os colonos por 4723, enquanto 720 foram perpetrados por ambos, de forma conjunta.
Shaaban caracterizou 2025 como um ano carregado de sangue, mapas e resoluções, sublinhando que Israel não se limitou a expandir os postos avançados coloniais, mas procurou alargar o próprio conceito de controlo.
«A dominação já não se restringia à terra como espaço físico, mas também envolvia a reinterpretação da geografia, do simbolismo e da própria existência palestiniana», disse, citado pela Wafa.
Acrescentou que este relatório documenta um ano de violações que não foram cometidas em segredo, mas antes executadas abertamente como parte do processo político, sob a égide de um regime que vê a terra como espólio, a lei como instrumento e a força como substituto da legitimidade.
Shaaban explicou que o documento não se limita a apresentar um resumo numérico das violações, mas situa estes acontecimentos no seu contexto político e moral, como resultado de uma iniciativa colonial abrangente que visava simultaneamente a terra, o povo e a memória colectiva.
«Quando a geografia palestiniana é reduzida a enclaves isolados e sitiados, e os palestinianos são expulsos das suas terras, a ocupação torna-se uma condição permanente, não uma medida temporária», disse.
Expansão-recorde dos colonatos na Margem Ocidental
Com o início da guerra de extermínio na Faixa de Gaza, em Outubro de 2023, a Cisjordânia ocupada foi alvo de um número crescente de ataques, ao mesmo tempo que o executivo de Netanyahu carregava no acelerador da ocupação territorial, com a aprovação de dezenas de novos colonatos.
Recentemente, a organização israelita Peace Now (Paz Agora) afirmou que 2025 é o ano com maior número de aprovações de planos para novos colonatos – 41, que dizem respeito tanto a novos colonatos como à legalização retroactiva de postos avançados.
Em declarações à agência Anadolu, um responsável da organização disse que este recorde anual – que bate qualquer período idêntico desde 1993 no que respeita à expansão ilegal dos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada – está relacionado com os planos do governo para anexar o território e bloquear a criação de um Estado palestiniano.
Ao todo, 68 colonatos foram aprovados, legalizados ou iniciados nos últimos três anos, revelou a Peace Now, explicando que isto não significa que todos tenham sido já criados, mas antes que o processo já teve início, com apoio governamental e dos diferentes comités de planeamento.
A organização destacou também a dimensão abrangente da expansão geográfica dos colonatos, que se estende a áreas onde antes não existiam. «Estão por toda a Cisjordânia, na verdade.»
Actualmente, estima-se que cerca de 750 mil colonos vivam em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada, em colonatos que são considerados ilegais à luz do direito internacional.
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