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Mais 15 aeroportos brasileiros leiloados à iniciativa privada

A privatização dos aeroportos brasileiros conheceu forte ímpeto sob a governação de Jair Bolsonaro (de dez passaram para 59). O leilão desta quinta-feira incluiu o de Congonhas, um dos mais movimentados.

O aeroporto de Congonhas será administrado por uma empresa estatal espanhola 
CréditosNelson Almeida / Brasil de Fato

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) leiloou ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo, a concessão à iniciativa privada de 15 aeroportos públicos – incluindo o de Congonhas, na capital paulista, que é um dos mais movimentados do país sul-americano.

Os leilões foram realizados em três blocos. Segundo informa o Brasil de Fato, as empresas que vão administrar os terminais nos próximos 30 anos desembolsaram cerca de 2,7 mil milhões de reais em outorgas pagas ao governo. Nesse período, as empresas deverão investir 7,3 mil milhões nos terminais, de acordo com as regras de concessão.

Até esta quinta-feira, 44 terminais aeroportuários (mais de 75% do total do tráfego de passageiros do Brasil) eram administrados por operadores privados. Agora, 91,6% dos passageiros de empresas aéreas que operam no Brasil transitam por aeroportos privatizados, segundo dados da Anac.

No período de governação de Jair Bolsonaro, o executivo brasileiro negociou a concessão de 49 aeroportos públicos brasileiros. Quando chegou à Presidência, havia dez aeroportos administrados pela iniciativa privada.

Privatização generalizada e crescimento da presença estrangeira

Marcelo Sampaio, ministro da Infraestrutura, afirmou após o leilão que o Brasil caminha para a privatização de todos os aeroportos que foram administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Uma boa parte dos aeroportos já concedidos pelo governo foram arrematados por empresas estrangeiras. A empresa estatal espanhola Aeropuertos Españoles y Navegación Aérea (Aena) venceu esta quinta-feira o leilão de um bloco que incluía 11 terminais aeroportuários brasileiros, liderados por Congonhas, em São Paulo.

A empresa já administra aeroportos brasileiros no Nordeste. Recife, o maior sob a sua gestão, foi considerado o segundo pior do país na última pesquisa nacional de satisfação do passageiro e desempenho aeroportuário, com dados do quarto trimestre de 2021.

«A nota obtida pelo aeroporto é pior do que a que ele tinha quando era administrado pela Infraero», revela o Brasil de Fato.

A mesma fonte alude uma reportagem do jornal Valor Econômico, de acordo com a qual a Aena recebeu multas e sanções do governo por problemas nos seus terminais.

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