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Luta nos EUA: trabalhadores da Amazon conseguem aumento do salário mínimo para todos

Os trabalhadores da Amazon nos EUA conseguiram o aumento do salário mínimo para 15 dólares por hora, após terem iniciado contactos para se sindicalizarem, mas a precariedade continua a ser regra.

A Amazon espera contratar cerca de 100 mil trabalhadores com vínculos temporários para a época natalícia. Para esses, o mínimo de 15 dólares por hora também será aplicado
A Amazon espera contratar cerca de 100 mil trabalhadores com vínculos temporários para a época natalícia. Para esses, o mínimo de 15 dólares por hora também será aplicadoCréditosFriedemann Vogel / EPA

A maior empresa de comércio digital do mundo anunciou na terça-feira o aumento do salário mínimo para todos os seus trabalhadores nos EUA para 15 dólares por hora, incluindo aqueles que estão a tempo parcial ou com contratos temporários, noticiou o The New York Times (NYT).

A medida, que entra em vigor a 1 de Novembro, seguiu-se à denúncia do The Intercept de que um terço dos trabalhadores da Amazon no estado do Arizona recorre ao programa público federal para apoio à compra de alimentos, dirigido a quem tem rendimentos mais baixos, uma situação que se repete noutros pontos dos EUA.

Sindicalização e reivindicação

No início de Setembro, os trabalhadores da maior cadeia de supermercados de produtos orgânicos, a Whole Foods Market, comprada há pouco mais de um ano pela Amazon, iniciaram contactos para se sindicalizarem, segundo relatava então o The Wall Street Journal.

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Um terço dos trabalhadores da Amazon no estado do Arizona depende de senhas de alimentação

As movimentações foram motivadas por alterações nas condições de trabalho impostas pelos novos donos, mas também a imposição de cortes nas remunerações. Em reacção à subida do salário mínimo, um dirigente sindical ouvido pelo NYT considerou que, sendo positiva é insuficiente, até porque se mantêm problemas, nomeadamente o peso esmagador dos vínculos precários. A empresa prevê contratar cerca de 100 mil trabalhadores para a época natalícia a título temporário, a somar aos 250 mil que emprega actualmente nos EUA.

O aumento do salário mínimo num dos maiores empregadores nos EUA é ainda reivindicado como uma importante vitória pelo movimento Fight for 15$ (Luta por 15 dólares), nascido em 2012, em Nova Iorque, da luta dos trabalhadores dos restaurantes de fast food por um salário de 15 dólares por hora. O salário mínimo federal está congelado nos 7,25 dólares desde 2007 e, apesar de em alguns estados ser superior, a maioria está abaixo dos dez dólares e em nenhum estado ultrapassa os 11,5 dólares por hora.

Património de Bezos cresce 10 mil dólares por hora

Os lucros da Amazon no segundo trimestre do ano subiram 12 vezes face ao mesmo período do ano passado, tendo-se tornado a segunda empresa avaliada em mais de 1 bilião de dólares, a seguir à Apple. O seu dono, Jeff Bezos, é considerado o homem mais rico do mundo, com um património avaliado em 165 mil milhões de dólares – mais de metade de toda a riqueza produzida num ano em Portugal.

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O dono da Amazon, Jeff Bezos, ganha 10 mil dólares por hora – 666 vezes mais do que o novo salário mínimo na empresa

Face ao final do ano passado, quando Bezos se tornou no primeiro bilionário a passar a marca dos 100 mil milhões, a sua riqueza cresceu a um ritmo de 10 mil dólare por hora. Apesar de ser encarada como improvável, não rejeitou completamente a possibilidade de se candidatar à presidência dos EUA.

Para além das ambições do dono da Amazon, a empresa atravessa ainda um momento delicado nas relações com o poder político, que pode trazer dissabores ao nível da opinião pública: tem em curso um concurso entre cidades norte-americanas para a localização de uma segunda sede, para a qual há a expectativa de que sejam concedidos enormes benefícios fiscais.

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